A forte chuva que atingiu Avaré na manhã desta quinta-feira (5) alagou ruas, deixou pessoas ilhadas e provocou danos em vários pontos da cidade. Até o momento, não há registro de vítimas, mas os estragos estão espalhados por diferentes regiões. Segundo relatos e vídeos enviados por moradores, o volume de água foi muito intenso.
Em um dos pontos mais afetados, parte da rua Fernando de Noronha, próxima à praça das Mães, no Jardim Brasil, desabou. Em outras regiões, as ruas ficaram alagadas, e pessoas ficaram ilhadas em meio à água.
O temporal desta quinta-feira vem depois de dois meses de chuva muito acima do normal na cidade. Segundo nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a estação de Avaré registrou 276,8 milímetros em setembro, contra uma média histórica de 67,4 mm para o mês. O volume ficou 310,7% acima do normal, cerca de quatro vezes o que costuma chover. Com isso, o município entrou na lista do INMET dos maiores desvios positivos de chuva do país em setembro, ao lado de Iguape (454,2 mm) e da capital paulista (321 mm).
O dia mais crítico do mês foi 10 de setembro. Até o meio-dia, os pluviômetros da Defesa Civil já marcavam 83 mm, e até as 18h a equipe tinha atendido mais de 60 ocorrências, entre carros atingidos por alagamentos, uma casa inundada, um imóvel destelhado, um muro caído e uma estrada rural interditada. As aulas nas escolas e creches municipais foram suspensas. Na noite de 21 de setembro, um temporal com ventos de 50 a 60 km/h e 32 mm de chuva derrubou cerca de 20 árvores, sendo 15 na área urbana e cinco em estradas rurais, e duas estruturas metálicas caíram no Parque de Exposições. No balanço do mês, a Defesa Civil atendeu 106 ocorrências, 86 delas ligadas à chuva e ao mau tempo, segundo o vereador Pedro Fusco.
Outubro seguiu chuvoso. Entre os dias 21 e 25, a estação do INMET em Avaré acumulou 127,8 mm, o maior volume do Sudeste no período. Boa parte caiu entre a noite de sábado (24) e a madrugada de domingo (25), quando, segundo a Prefeitura, choveram cerca de 120 mm, com alagamentos em vários pontos da cidade e dificuldade de acesso à Pedra Preta, na zona rural. O INMET ainda não divulgou o balanço fechado de outubro. Novembro também começou molhado: até o dia 4, já haviam chovido 46 mm em Avaré, 32% da média do mês, que é de 144 mm, segundo a Climatempo.
O excesso de chuva afetou a represa de Jurumirim. Boletins da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que a vazão natural que chegou à usina em setembro foi de 562 m³/s, 360% da média histórica do mês. Em outubro, até o dia 21, a vazão estava em 411 m³/s, 220% da média. Com isso, o volume útil do reservatório passou de 48,5% no fim de agosto para 79,5% em 21 de outubro.
O fenômeno não se limita a Avaré. Na capital paulista, setembro terminou com 321 mm e outubro com 223,2 mm, quase o dobro da média, o quarto outubro mais chuvoso desde 1961. As chuvas intensas no Sul e no Sudeste têm sido associadas à influência do El Niño, declarado oficialmente em julho.
Em caso de emergência, a população de Avaré pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Confira o vídeo abaixo registrado pela moradora de Avaré, Lara Lemes.