DEBATE

66% dos pequenos negócios apoiam fim das bets, diz Sebrae

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
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Pesquisa ouviu 1.028 empresários e aponta que 26% associam queda no faturamento às apostas online; fim das plataformas já está em vigor
Pesquisa ouviu 1.028 empresários e aponta que 26% associam queda no faturamento às apostas online; fim das plataformas já está em vigor

A proibição das apostas online encontra apoio entre a maioria dos donos de micro e pequenas empresas brasileiras. É o que aponta levantamento realizado pelo Sebrae com 1.028 empresários das 27 unidades da Federação.

Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados são favoráveis à proibição das bets. Do total, 57% se declararam totalmente favoráveis e 8,8% parcialmente favoráveis. Outros 23,5% são contrários à medida, sendo 17% totalmente e 6% parcialmente.

O levantamento foi divulgado após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.394/2026, que determinou a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. Os sites e aplicativos começaram a ficar indisponíveis em 6 de outubro, conforme o cronograma estabelecido pelo governo federal.

Impacto percebido no faturamento

Um dos principais pontos levantados pelo estudo é a relação percebida pelos empresários entre as apostas e o desempenho comercial.

26% dos entrevistados afirmaram que houve redução no faturamento associada ao avanço das apostas virtuais nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 23% não souberam avaliar a dimensão do impacto, enquanto 51% não identificaram efeitos diretos. Apenas 0,2% relataram ganho associado ao segmento.

A pesquisa também apontou alterações no comportamento dos consumidores. Quase metade dos entrevistados, 48%, percebeu alguma mudança.

A diminuição do dinheiro disponível para consumo foi mencionada por 33% dos empresários. O aumento da inadimplência ou de atrasos foi citado por 18%, enquanto 11,5% observaram maior procura por parcelamento ou compras fiadas. Outros 10% relataram a substituição de produtos por alternativas mais baratas.

Reflexos dentro das empresas

Os efeitos relatados pelos empresários não se restringiram aos consumidores.

Entre as empresas que possuem funcionários, 40% afirmaram ter percebido algum impacto relacionado às apostas entre seus colaboradores. Nos comentários apresentados ao Sebrae, foram relatados casos de endividamento, pedidos de adiantamento salarial, apostas durante o expediente, problemas relacionados ao sono, redução da produtividade e desfalques financeiros.

Expectativa é de estabilidade ou crescimento

O levantamento também procurou identificar o que os empresários esperam para o período posterior ao fim das plataformas.

Entre os entrevistados, 38% projetam aumento do faturamento, enquanto 42% acreditam que as vendas permanecerão estáveis. Apenas 0,6% esperam redução.

Na avaliação do possível impacto do fim das bets sobre a economia local, a nota média atribuída pelos empresários foi de 6,1 em uma escala de zero a dez. Um total de 24% deu nota máxima ao possível efeito positivo.

Os números, no entanto, representam expectativas e percepções dos empresários ouvidos, e não uma comprovação de que a proibição já tenha provocado recuperação das vendas. A mudança ainda deverá ser acompanhada por indicadores econômicos ao longo dos próximos meses.

Medida está em vigor

A MP nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional. A norma também alcança apostas esportivas e jogos online.

O Ministério da Fazenda estabeleceu o cronograma para retirada dos valores mantidos pelos apostadores e para a indisponibilidade das plataformas. Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos abrangidos pela medida deveriam deixar de operar.

O levantamento do Sebrae teve participação de microempresas, microempreendedores individuais e empresas de pequeno porte. Do total, 56% eram microempresas, 22,5% MEIs e 21,5% empresas de pequeno porte. Serviços representaram 53% dos negócios ouvidos, seguidos por Comércio, com 29%.

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