CONSCIENTIZAÇÃO

Educação no trânsito começa antes da CNH, dizem alunos da FDF

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Leonardo de Oliveira/GCN
Veículo em exposição esteve envolvido em acidente com duas vítimas em 2014
Veículo em exposição esteve envolvido em acidente com duas vítimas em 2014

A educação no trânsito começa antes de uma pessoa colocar as mãos no volante. Essa foi a ideia central de um projeto desenvolvido por estudantes do primeiro ano de Direito da FDF (Faculdade de Direito de Franca) e apresentado nesta terça-feira, 22, durante a Semana Nacional de Conscientização sobre o Trânsito.

O trabalho foi desenvolvido por Laísa Neves Malta, Mariana Andrade, Ana Gabriela Assis e Stefany Cintra, em conjunto com outros alunos da turma. A atividade reuniu estudantes, representantes do Detran-SP, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros e Prefeitura de Franca.

A programação teve exposição de veículos sinistrados, demonstração com etilômetro, orientações de órgãos de segurança e uma mostra de trabalhos produzidos pelos próprios alunos.

O trânsito começa antes da CNH

Para Laísa, um dos principais objetivos do projeto foi mostrar que a educação no trânsito não é responsabilidade apenas de quem dirige. “Levar essa ideia para gerações que estão chegando agora e entender que o trânsito não vai começar na sua vida quando você tirar a carta”, afirma.

Até mesmo uma criança no banco traseiro de um veículo já participa da dinâmica do trânsito. “O fato de você estar num banco traseiro, como a gente traz principalmente nos perigos do não uso de segurança no banco traseiro, já faz de você um cidadão atuante no trânsito”, diz.

A proposta é levar o aprendizado para situações do cotidiano, como atravessar a rua no local correto, usar o cinto de segurança e colocar o capacete. As crianças e os adolescentes também podem questionar comportamentos de risco dentro da própria família, como dirigir sem cinto, andar de moto sem capacete ou consumir álcool antes de dirigir.

Experiências mudaram percepção dos alunos

Para Mariana, a preparação do projeto também modificou a forma como os próprios estudantes passaram a enxergar o trânsito. “O próprio fato da gente ter tido essa oportunidade, de ter tido a palestra sobre isso, de ter o desempenho mesmo de ir atrás, de procurar, isso nos conscientiza muito”, afirma.

A formação em Direito amplia essa responsabilidade, segundo ela. “Aqui nós, dentro da faculdade, temos não só o dever de ir atrás, de saber sobre isso, mas como cidadão também.”

Mariana relatou uma situação em que saiu com amigos e parte do grupo havia consumido bebida alcoólica. Ao encontrarem uma blitz, foi necessário trocar quem estava dirigindo. O episódio chamou atenção para a forma como parte dos jovens encara a combinação entre álcool e direção. “O que dá medo nos jovens é a questão da multa”, resume.

“A gente sabendo, a gente tendo consciência, a gente ri na cara do perigo. E acaba sendo muito sóbrio a gente não levar a sério até acontecer com a gente”, afirmou.

Decisões podem afetar outras pessoas

Ana Gabriela Assis levou a discussão para as consequências que uma decisão individual pode provocar em terceiros. Ela citou um acidente ocorrido na avenida Presidente Vargas, em Franca, no qual um motociclista em alta velocidade matou outra pessoa.

“Eu acho que ele não só prejudicou a vida de outra pessoa, como também prejudicou a vida dele”, afirmou. “Pode acontecer com a gente como pode acontecer com outra pessoa”, completou.

Stefany Cintra também mencionou um caso ocorrido na cidade, em que um racha terminou com a morte de uma jovem.

“É muita irresponsabilidade uma pessoa sabendo que lá vai ter estudante ainda e querer fazer uma coisa ilegal, que é o racha, e ainda colocar a vida de outra pessoa em risco”, disse.

Bombeiros destacam prevenção

O Corpo de Bombeiros levou ao evento a perspectiva de quem atua nas ocorrências de trânsito. Segundo o sargento Sarroche, os acidentes estão relacionados ao descumprimento de regras.

“Todo acidente, ele é causado por, vamos dizer, alguma anomalia de trânsito. Essa anomalia, no caso, saiu fora da normalidade, é o descumprimento da legislação daquele local”, afirmou.

Entre os comportamentos citados pelo sargento estão o uso do celular enquanto se dirige, o excesso de velocidade e o desrespeito à sinalização.

O comandante Abner Henrique também destacou a importância da prevenção. “Acredito que principalmente em questão da prevenção. A orientação das pessoas é o que a gente está fazendo aqui hoje”, disse.

Ele recomendou que os motoristas saiam de casa com antecedência. “Se tiver que sair de casa, sai um pouquinho mais cedo”, afirmou.

O comandante também ressaltou a necessidade de atenção ao comportamento dos demais motoristas. “É a questão de você dirigir para você e para o outro, ter o cuidado com você e também prestar atenção no outro que está conduzindo o outro veículo.”

Semana do Trânsito tem ações em Franca

A Semana Nacional do Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro, também conta com ações de prevenção em Franca.

Segundo Régis Mendes, diretor do Departamento de Trânsito da Secretaria de Segurança, a programação busca conscientizar os motoristas e contribuir para a redução da letalidade nas ruas.

As atividades começaram com uma ação em parceria com o Detran e a Polícia Militar, com distribuição de panfletos e orientações sobre a preferência ao pedestre na região central e no Jardim Leporace. A programação também inclui palestras.

Uma das ações utiliza um veículo destruído em um acidente real que matou um casal. O carro já havia sido usado em atividades do Maio Amarelo.

“A pessoa vê o carro todo amassado. Então a ideia é impactar para sensibilizar a pessoa e para que ela absorva essa informação de respeitar as normas, dirigir com cautela, não usar bebida alcoólica antes de dirigir, evitar falar no celular”, explicou Régis.

Segundo o diretor, a combinação dessas atitudes pode contribuir para reduzir as mortes no trânsito.

“É um conjunto de comportamentos que, se forem seguidos, sem dúvida, reduz a letalidade no trânsito”, afirmou.

Projeto busca formar futuros profissionais

Para o professor Fábio Cantizani, responsável pela iniciativa, a atividade também faz parte da formação dos estudantes.

“São alunos, propositadamente, de primeiro ano, alunos na faixa de 18 anos. Muitos deles estão tirando a CNH agora”, explicou.

Os estudantes participaram de palestras e pesquisas e produziram cartazes e banners sobre segurança no trânsito.

Segundo Fábio, o primeiro público alcançado pelo projeto são os próprios alunos. Depois, a proposta é chegar à comunidade e, posteriormente, a crianças e adolescentes, que também podem atuar como agentes de conscientização dentro de casa.

“A gente espera estar atingindo todos esses públicos”, resumiu.

A chuva prejudicou a participação das escolas Pestalozzi e Colégio Samaritano, que estavam previstas para levar alunos ao evento. Ainda assim, os estudantes consideraram a atividade uma oportunidade para ampliar a discussão sobre segurança no trânsito e mostrar que a formação para uma circulação mais segura começa antes da obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

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