A audiência que seria realizada nesta quinta-feira (5), na 1ª Vara Criminal do Fórum de Bauru, onde seriam ouvidas testemunhas e réus do processo criminal de peculato dos desvios que resultaram em um rombo milionário na Apae Bauru, foi adiada pela Justiça para 25 de fevereiro de 2027. O JC/JCNET apurou que o adiamento ocorreu devido à transferência do juiz que estava responsável pelo processo em Bauru, Jair Antonio Pena Junior, para a comarca de Araçatuba. O caso de peculato passou para o juiz Marcio Augusto Zwicker Di Flora, de Bauru, que identificou a impossibilidade de realizar a audiência nesta data devido a outras audiências já previamente marcadas. O promotor é Fernando Masseli Helene. Quem perde com esse adiamento será a própria Apae Bauru, que já foi prejudicada em ao menos R$ 7,5 milhões nos últimos cinco anos, além da população bauruense interessada no rápido desfecho do caso. Sete pessoas já foram presos pela Polícia Civil, mas foram soltos pela Justiça no processo de peculato (veja abaixo).
Conforme o JC/JCNET vem noticiando, o ex-presidente da Apae Bauru Roberto Franceschetti Filho, condenado em 1.ª e 2.ª instâncias a 22 anos e seis meses de reclusão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver da ex-secretária-executiva da entidade Claudia Regina da Rocha Lobo, também é réu dos desvios financeiros. Em agosto passado, houve a audiência de instrução em segunda instância na sala 36 da 1ª Vara Criminal de Bauru.
Além de Roberto, são investigados neste processo de peculato, segundo a Polícia Civil, Leticia da Rocha Prado Lobo (filha de Claudia Lobo), Ellen Souza (irmã de Claudia Lobo), Renato Golino, Gisele Aparecida Tavares, Diamantino Passos (cunhado de Claudia Lobo), Izabel Cristina, Persio de Jesus (ex-marido de Claudia Lobo), Maria Lúcia Miranda, Felipe Figueiredo, Fernando Sheridan Rocha Roreira, Gabriel Gomes da Rocha Rodrigues e Renato Tadeu de Campos. Tanto a Delegacia de Homicídios de Bauru quanto o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Polícia Civil destacam que se formou na Apae, naquela época, uma quadrilha que resultou em disputa de poder na instituição. Esses desvios foram cometidos, segundo o Seccold, por Claudia Regina Lobo (R$ 1,8 milhão), Roberto Franceschetti Filho (R$ 5,8 milhões), assim como outros acusados. A investigação apontou que os suspeitos se referiam aos valores como “adiantamento a fornecedores”.
Neste processo, Roberto tem como advogado José Roberto Curtolo Barbeiro. Já a defesa de Letícia e dos demais familiares de Claudia Lobo é composta por Alisson Caridi, Cibele Maia Prado e Rafael José Frabetti. O espaço do JC/JCNET permanece aberto para manifestações.
Investigações do Seccold apontaram que, em cinco anos, ao menos R$ 7,5 milhões foram desviados dos cofres da Apae Bauru. Além de Roberto e Letícia, outros sete réus respondem no processo, a maior parte deles familiares de Claudia, supostamente beneficiados pelos desvios. Eles são acusados de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com o Seccold, os crimes envolveram superfaturamento de contratos, emissão de notas frias, pagamento de salários a funcionários fantasmas, empréstimos de dinheiro da entidade a terceiros com cobrança de juros, uso de conta paralela para movimentação de recursos e transferências lançadas na contabilidade como bonificações ou “adiantamentos a fornecedores”.
Diamantino Passos Campagnucci Júnior
Marido de Ellen Lobo, irmã de Claudia Lobo, envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil. Ele seria proprietário de uma empresa em Agudos que, de acordo com as investigações, emitia notas fiscais frias (sem que houvesse serviço prestado) para a Apae.
Ellen Siuza Rocha Lobo
Irmã de Claudia Lobo e envolvida nos desvios, segundo a Polícia Civil.
Renato Tadeu de Campos
Policial militar aposentado, é ligado a uma empresa de segurança registrada em nome de uma parente. A empresa prestava serviços para a Apae, de acordo com as investigações. Está envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil.
Letícia da Rocha Prado Lobo
Filha de Claudia Lobo, é apontada como envolvida nos desvios na Apae, segundo a Polícia Civil.
Maria Lúcia Miranda
Contadora e coordenadora financeira da Apae Bauru. Ela está envolvida no esquema, segundo a Polícia Civil.
Pérsio de Jesus Prado Júnior
Ex-marido de Claudia Lobo e pai de Letícia (filha de Claudia), também presa. É apontado como envolvido nos desvios segundo a Polícia Civil.
Renato Golino
Ex-coordenador financeiro da Apae, venceu um sorteio realizado pela própria entidade em 2020, quando levou um Chevrolet Onix para casa, segundo a Polícia Civil..
Felipe Figueiredo Simões
Até o momento não há informações sobre quem seria Felipe. Ele não foi preso à época – policiais não o localizaram no endereço do mandado de prisão.