05 de novembro de 2026
CAVALO DE TROIA

Estela abre mão de sigilos bancário e telemático em investigação


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Câmara/Bauru
Estela Almagro

A vereadora Estela Almagro (PT) apresentou à Justiça uma petição em que autoriza o acesso aos seus sigilos fiscal, bancário e telefônico e coloca seu aparelho celular pessoal à disposição do Ministério Público e do Judiciário para perícia. A iniciativa foi protocolada nesta quarta-feira (4), no âmbito do processo relacionado à Operação Cavalo de Troia, que investiga suspeitas de irregularidades na concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru.

No documento, apresentado por meio de seu advogado, José Fernando do Amaral Junior, a parlamentar afirma que tomou conhecimento de que seu nome foi mencionado indiretamente em conversas interceptadas entre investigados, entre eles Renato Celso Bonomo Purini, Cilene Chabuh Bordezan e Hamilton Libório Agle.

Estela sustenta que as referências a ela não indicam participação em qualquer prática ilegal. Ao contrário, argumenta que os diálogos demonstrariam a insatisfação dos investigados com sua postura contrária à concessão do sistema de gestão integrada de resíduos sólidos.

A vereadora afirma que participou da sessão de votação do projeto e se posicionou contra a proposta, em oposição à tese de que teria aceitado vantagens para deixar de comparecer à Câmara. Na petição, também destaca sua atuação fiscalizatória, citando questionamentos feitos publicamente à então secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Bordezan, sobre os estudos técnicos utilizados na modelagem da concessão.

Abertura dos sigilos

Como medida para afastar suspeitas e permitir o esclarecimento dos fatos, Estela declara autorizar, de forma espontânea, o acesso amplo aos seus dados fiscais, bancários e telefônicos. Também informa que disponibiliza seu celular pessoal para extração de dados e realização de perícia técnica, quando a autoridade competente considerar oportuno.

A parlamentar argumenta que não há materialidade que a vincule às irregularidades investigadas e que as menções feitas por terceiros teriam sido utilizadas para simular proximidade política, influência sobre vereadores ou para alinhar justificativas de ausência em compromissos.

Entre os episódios descritos na petição está uma conversa em que Cilene Bordezan teria orientado Hamilton Agle a utilizar uma cirurgia no joelho como justificativa para não comparecer a um evento, recomendando que ele mantivesse a mesma versão ao conversar com Estela. O documento também menciona diálogos nos quais os investigados comentariam a interlocução da vereadora com representantes de entidades e sua atuação em audiências e debates públicos.

A defesa ressalta que não há, nos elementos citados, diálogo direto da parlamentar concordando com propostas ilícitas ou participando de tratativas relacionadas ao esquema investigado.

Internação para cirurgia

Ao final da petição, Estela comunica que está internada em uma unidade hospitalar para a realização de uma cirurgia de urgência na vesícula, agendada para esta quinta-feira (5).

A manifestação foi protocolada às 13h54 de quarta-feira (4) e está juntada aos autos do processo que apura os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia. A iniciativa é apresentada como espontânea e preventiva, antes de eventual solicitação de medidas investigativas contra a parlamentar.