31 de outubro de 2026
COLUNISTA

A Terra ganha sentido na glória dos céus


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A Solenidade de Todos os Santos nos convida a contemplar a beleza da santidade e a renovar nossa esperança na vida eterna. Os santos são aqueles que já participam da glória dos céus. Alguns foram reconhecidos e canonizados pela Igreja; muitos outros, porém, permanecem desconhecidos aos nossos olhos, mas vivem na presença de Deus. Há também aqueles que, ainda peregrinando neste mundo, procuram viver a fé, praticar o bem e construir uma sociedade mais justa, tendo os olhos voltados para a glória eterna.

A primeira leitura apresenta uma multidão imensa, de todas as nações, tribos, povos e línguas, diante do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 7,9). Vestidos de branco e trazendo palmas nas mãos, esses homens e mulheres representam aqueles que permaneceram fiéis a Deus em meio às provações. Suas vestes foram purificadas no sangue do Cordeiro (Ap 7,14). Essa imagem nos recorda que a santidade não significa uma vida sem dificuldades, mas uma existência transformada pela graça de Cristo, capaz de perseverar no amor mesmo diante das tribulações.

O Salmo responsorial nos ajuda a compreender o caminho da santidade ao perguntar quem poderá permanecer na presença do Senhor. A resposta aponta para aqueles que têm mãos puras, coração inocente e não dirigem a mente para o mal (Sl 24[23],3-4). Ser santo, portanto, não é viver distante da realidade, mas escolher diariamente a honestidade, a justiça, a misericórdia e o compromisso com o bem.

A segunda leitura nos recorda a grandeza de nossa vocação: somos filhos de Deus, chamados a participar de uma vida que ultrapassa os limites deste mundo (1Jo 3,1-3). A santidade começa aqui, quando permitimos que o amor do Pai transforme nossas atitudes, mas alcança sua plenitude na eternidade, quando veremos Deus face a face.

No Evangelho, Jesus proclama as Bem-aventuranças e revela o rosto daqueles que são verdadeiramente felizes aos olhos de Deus (Mt 5,1-12a). São os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os promotores da paz e os perseguidos por causa da justiça. Jesus nos ensina que a felicidade não se mede apenas pelas conquistas materiais, pelo poder ou pelo reconhecimento humano. Ela nasce de uma vida orientada pelos valores do Reino de Deus e encontra sua plenitude na recompensa dos céus (Mt 5,12).

Isso não significa que nossa passagem pela terra deva ser marcada somente por tristezas ou renúncias. Pelo contrário, somos chamados a trabalhar por um mundo melhor, defender a dignidade humana, cuidar da criação, acolher os que sofrem e promover a paz. Entretanto, reduzir toda a nossa existência ao horizonte terreno é esquecer que fomos criados para algo maior. Para nós, cristãos, a terra tem sentido quando cremos na glória dos céus. É a esperança da vida eterna que ilumina nossas escolhas, sustenta nossa caminhada e nos dá forças para perseverar no bem, mesmo quando os resultados parecem pequenos ou distantes.

Celebrar Todos os Santos é reconhecer que a santidade é uma vocação para todos. Não precisamos esperar grandes acontecimentos para começar: ela se constrói nos gestos cotidianos de amor, no perdão oferecido, na palavra verdadeira, na solidariedade e na fidelidade a Deus. Cada atitude que torna o mundo mais humano pode ser um sinal da presença do Reino entre nós.

Que a contemplação dos santos fortaleça nossa esperança e nos ajude a caminhar com os pés firmes na terra e o coração voltado para o céu. Peçamos a intercessão de Nossa Senhora, Rainha dos Céus e da Terra, para que nos acompanhe na caminhada da fé, nos ensine a acolher a vontade de Deus e nos conduza, com perseverança e amor, à alegria da glória eterna. Amém.