31 de outubro de 2026
OPINIÃO

Desabafo pós-eleição

Por Patricia Da Costa E Silva R. Schubert | a autora é colaboradora de Opinião
| Tempo de leitura: 2 min

Vi várias postagens ao longo desse processo eleitoral. Recebi mensagens de todos os tipos em meu whatsapp. Não sou de usar whatsapp para mensagens de “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”. Não gosto de grupos e de raríssimos faço parte. Não discuto política, religião e nada entendo de futebol. Fui ofendida por um senhor que me chamou de “petralha”. Inacreditável! Não sou petista. Não sou bolsonarista. Sou humana, mulher, advogada, lutadora, mãe. Sou brasileira. Imperfeita. Me posiciono. Acima de tudo, respeito posicionamento diferentes. E também não questiono e não discuto essas escolhas. 

Julgar? Quem sou eu? Nunca ficarei em cima do muro. E, independente das escolhas das pessoas, admiro quem se posiciona, como eu. Pois bem. Minha profissão me orgulha. Tenho admiração por muitos de meus colegas. Num país repleto de injustiças, advogar não é fácil. Está na nossa essência lutar por Justiça. Ouvir as partes, submeter-se à lei e procedimentos, respeitar opiniões diversas, mitigar as desigualdades, auxiliar o próximo, compreender as diferenças, acreditar nos processos, recorrer quando possível e aceitar as decisões, estas quando irrecorríveis. É, ademais, basilar tratar iguais como iguais e desiguais como desiguais - mas, acho que muitos não sabem ou não querem entender isso. Vivemos numa coletividade - e não numa bolha ou numa casta. 

Há muito que aprimorar, obviamente.

Precisamos repensar várias questões, dentre elas benefícios governamentais. Mas, radicalismo não se amolda a nossos tempos. A vida é, embora naturalmente complexa, muito fácil para quem tem oportunidade. Nosso Brasil é repleto de pessoas despidas do básico. 

Já nos colocamos no lugar deles? Em razão de minha profissão, conheci muitas delas. Tenho a sorte de aprender com as mesmas, inclusive. E quanto mais tenho, mais obrigação tenho para com o mundo

Ninguém pode ser afrontado, maltratado, desprezado ou odiado por ter nascido em lar desprovido de coisas materiais, por ser negro, por ser mulher, por ser gay, por ser idoso, por ter alguma necessidade física ou intelectual etc. Todos, merecemos respeito. É direito de cada um acreditar no que quiser, votar em quem quiser e, até mesmo, nem votar. Presidente eleito, vida que segue. 

Democracia é ter maturidade para submeter-se a escolha da maioria, ainda que não façamos parte dela. Pacto social, não nos esqueçamos dele. Recordemos e reflitamos sobre o que disse Thomas Hobbes. John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Li uma postagem cujo autor lamentavelmente não recordo, que dizia que o Brasil é um país estranho. Diversamente de outros vários, aqui, ricos odeiam pobres - e não o revés. 

É para refletirmos. Que sejamos uma nação unida, justa e solidária.