O primeiro Grupo Escolar de Bauru nasceu do esforço de autoridades e moradores para ampliar o acesso à educação em uma cidade que começava a se desenvolver. Inaugurada em 1913, na avenida Rodrigues Alves, a instituição reuniu alunos de antigas escolas isoladas e se tornou um marco do ensino público na cidade. Antes da criação do Grupo Escolar, Bauru contava com pequenas escolas isoladas, existentes desde o final do século XIX. Nessas unidades, o ensino era frequentemente multisseriado: um único professor, muitas vezes sem formação específica, ensinava conteúdos diferentes a estudantes de idades variadas na mesma sala.
As escolas funcionavam tanto na área urbana quanto em bairros, distritos, sítios e fazendas. Parte delas era mantida pela administração municipal, que remunerava os professores responsáveis pelo ensino primário. Com o aumento das matrículas, esse modelo passou a exigir uma estrutura maior e mais organizada. A criação de um Grupo Escolar tornou-se, então, uma das prioridades das autoridades locais, interessadas em acompanhar o crescimento da população e ampliar a oferta de ensino.
A MOBILIZAÇÃO
A implantação da unidade dependeu de articulações entre a Câmara Municipal e o Governo do Estado de São Paulo. Na época, a construção de um Grupo Escolar no interior exigia que o município disponibilizasse um terreno para a construção da obra.
Em sessão extraordinária realizada em 15 de outubro de 1910, (4 dias antes do seu assassinato) Azarias Ferreira Leite, então presidente da Câmara, defendeu a oferta de uma área para a construção da escola. A proposta foi aprovada por unanimidade, e o prefeito Francisco Gomes dos Santos recebeu autorização para escolher e adquirir o terreno necessário.
A área que foi sugerida pelo vereador João Augusto Pereira da Silva era um terreno baldio na avenida Alfredo Maia, atual Rodrigues Alves, entre as esquinas das ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel.
PRIMEIROS ANOS
E assim, em 7 de junho de 1913 foi inaugurado o primeiro Grupo Escolar de Bauru, tendo como primeiro diretor, o professor Antônio Francisco Redondo.
O edifício foi construído em alvenaria de tijolos, com características arquitetônicas do ecletismo, estilo que combina diferentes referências ornamentais. Entre seus elementos estão as aberturas com vergas arredondadas, a cobertura de quatro águas com telhas francesas e a platibanda decorada. A construção também possui porão e foi implantada recuada em relação aos limites frontal e laterais do terreno.
A expansão da instituição foi rápida. Já em 1914, a escola contava com 14 classes e um total de 621 alunos, números que demonstram a demanda por educação formal em Bauru naquele período.Em abril de 1939, a instituição recebeu o nome de Grupo Escolar Rodrigues de Abreu, em homenagem ao poeta.
CHEGADA DO ENSINO SUPERIOR
Com o crescimento de Bauru, a escola foi transferida, na década de 1950, para um prédio mais moderno na rua Virgílio Malta esquina com a avenida Duque de Caxias. Atualmente o prédio abriga a Escola Técnica Estadual (Etec) de Bauru. A área foi permutada com a Irmandade do Colégio São José, que passou a ocupar o prédio da avenida Rodrigues Alves, com a primeira faculdade da cidade, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus, conhecida como Fafil. Com a sede da Faculdade sendo transferida para outro prédio, na rua Irmã Arminda, o local passou a ser sede do Colégio São José (primeiro colégio particular da cidade).
A mudança de uso do edifício original marcou uma nova fase de sua trajetória: o espaço que havia abrigado a primeira grande instituição pública de ensino primário de Bauru passou a integrar a primeira faculdade de da cidade.
A relevância histórica e arquitetônica do edifício levou à sua proteção pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (CODEPAC).De acordo com os dados do tombamento, o terreno possui 7.651,25 metros quadrados, enquanto a área construída é de 492 metros quadrados. A proteção foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 9.415, de 7 de abril de 2003.
O tombamento abrange a fachada frontal voltada para a avenida Rodrigues Alves e as fachadas laterais voltadas para as ruas Antônio Alves e Gustavo Maciel. A preservação inclui o conjunto arquitetônico e seus volumes, além de elementos originais, como paredes, portas e janelas de madeira, ornamentos de ferro e argamassa e escadas. Mais do que uma antiga construção, o prédio representa uma etapa da história da educação pública bauruense. Sua preservação mantém viva a memória de uma instituição que contribuiu para a formação de gerações de moradores e para a consolidação do ensino formal na cidade.