Se há poucos anos ficar em pé e caminhar eram tarefas difíceis e dolorosas para quem quase perdeu a vida e fraturou as duas pernas em um atropelamento, hoje a médica veterinária Claudia Tozato Centinari Sacomandi, de 37 anos, ainda comemora a realização de um sonho: correr uma prova de 42,195 quilômetros da Maratona de Berlim, na Alemanha. A alegria foi compartilhada com o marido, João Paulo Sacomandi, de 42 anos, ambos da equipe Iron Coach, de assessoria de corrida.
O feito de completar uma maratona é alcançado por menos de 1% da população mundial. Vários outros bauruenses correram essa prova, uma das Six Majors (seis maratonas mais importantes do mundo), mas a história de Claudia se destaca pela superação. A corrida foi no dia 27 de setembro, reunindo mais de 56 mil corredores de 162 países.
O ATROPELAMENTO
Em novembro de 2021, poucos dias antes de participar de uma meia-maratona, Claudia foi atropelada por uma motocicleta enquanto corria pelas ruas de Bauru. O acidente provocou fraturas nas tíbias e fíbulas das duas pernas, exigiu cirurgias e deu início a meses de recuperação. Quase cinco anos depois, ela cruzou a linha de chegada da Maratona de Berlim e realizou o desejo pessoal que ganhou força justamente após o episódio que mudou sua vida.
"Em 2021, eu não sabia se voltaria a correr. Em 2026, eu estava cruzando a linha de chegada de uma maratona em Berlim", resume a veterinária ao recordar a trajetória entre o acidente e a realização do sonho. Ela completou o percurso em 4 horas e 19 minutos.
RECUPERAÇÃO
A corrida entrou na vida de Claudia por influência da irmã, Aline, que já praticava a modalidade, e do marido, João Paulo, que na época ainda era seu namorado. Aos poucos, o esporte deixou de ser apenas uma atividade física e passou a fazer parte de sua rotina. Depois de meses de fisioterapia, com profissional José Bassan Franco, a volta aconteceu gradualmente, respeitando o processo de recuperação. Cada distância percorrida passou a representar uma conquista, mostrando que era possível reconstruir algo que ela temia ter perdido. Sem dores, o que restam são as cicatrizes do acidente.
Nesse caminho, o apoio da família, especialmente do marido, foi fundamental. A orientação do treinador também contribuiu para que o retorno acontecesse com segurança e confiança.
SONHO REALIZADO
Ao cruzar a linha de chegada, Claudia recordou as etapas que precisou superar desde novembro de 2021. A emoção veio da dimensão do caminho percorrido desde o acidente. "Hoje não sinto dores ao correr, inclusive nas longas distâncias. Depois da experiência, passei a valorizar ainda mais cada treino, cada quilômetro e a possibilidade de continuar praticando o esporte. Essa maratona só aumentou a minha vontade de descobrir até onde a corrida ainda poderá me levar", finaliza Claudia.