09 de outubro de 2026
ELEIÇÃO 2026

Com 17 mil votos, Campopiano bate maioria dos candidatos de Bauru

Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Eduarda Campopiano

A dificuldade de Bauru para eleger representantes para a Assembleia Legislativa não está apenas na quantidade de votos obtida pelos candidatos locais. O resultado das eleições de 2026 revela outro fenômeno: candidatos de fora da cidade conseguiram conquistar parcelas expressivas do eleitorado bauruense e, em alguns casos, superaram diretamente nomes que disputavam a eleição com a bandeira de representar o município. O exemplo mais contundente é o de Eduarda Campopiano (PL). Natural de São Paulo e candidata sem vínculo eleitoral com Bauru (talvez nem conheça a cidade), ela recebeu 17.262 votos aqui, o terceiro melhor resultado entre todos os candidatos a deputado estadual. Ficou atrás apenas de Estela Almagro, com 21.584 votos, e Junior Lokadora, com 17.971.

Campopiano, porém, ficou à frente de sete dos dez candidatos ligados a Bauru. Sua votação foi superior em Bauru à de Junior Rodrigues, que teve 15.451 votos; Lúcia Rosim, 7.052; Anderson Prado, 5.224; Thaís Viotto, 4.298; Marcela Afonso, 3.209; Ivo Leite, 2.051; Thiago Lira, 579; e Poeta, 563.

A única exceção, entre os candidatos locais, foram justamente os dois primeiros colocados: Estela Almagro e Junior Lokadora. Os dados oficiais da apuração mostram ainda que Campopiano foi eleita para a Assembleia Legislativa com 1.956.238 votos em todo o Estado, a maior votação entre os 94 deputados estaduais eleitos. E ela não foi um caso isolado.

O levantamento dos votos de Bauru mostra que 78 dos 94 deputados estaduais eleitos em São Paulo receberam votos na cidade e aparecem entre os 200 candidatos mais votados no município. Alguns deles alcançaram votações expressivas, mesmo sem serem candidatos locais.

Depois dos candidatos ligados a Bauru e de Campopiano, aparecem entre os eleitos nomes como Dani Alonso, com 8.000 votos; Capitão Mosart, com 4.360; Eduardo Suplicy, com 3.159; Carlos Giannazi, com 3.118; Sofia Favero, com 3.081; e Sebastião Santos, com 2.905.

Também receberam votos relevantes em Bauru candidatos como Paula da Bancada Feminista, Monica das Pretas, Rafa Minato, Felipe Sertanejo e Sargento Castro. Todos foram eleitos para a Assembleia.

O dado não significa que esses votos tenham sido necessariamente retirados dos candidatos locais. O eleitor pode votar em um nome de outra cidade por identificação partidária, ideológica, pessoal ou simplesmente por considerar aquele candidato mais adequado para representá-lo.

Mas o conjunto dos números produz uma constatação objetiva: Bauru não funcionou eleitoralmente como uma base predominantemente concentrada em seus próprios candidatos.