03 de outubro de 2026
COLUNISTA

A vinha de Deus e os frutos de São Francisco


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Neste domingo, 4 de outubro, celebramos São Francisco de Assis. Providencialmente, a liturgia nos apresenta a imagem da vinha, que nos ajuda a compreender a missão de cada cristão: Deus nos confia a sua vinha para que produzamos frutos de justiça, bondade, fraternidade e paz.

Na primeira leitura (Is 5,1-7), o profeta Isaías apresenta o lamento de Deus diante de uma vinha que recebeu todos os cuidados, mas não produziu os frutos esperados: "Eu esperava deles frutos de justiça - e eis injustiça; esperava obras de bondade - e eis iniquidade" (Is 5,7). A vinha representa o povo de Deus, amado, cuidado e chamado a corresponder ao amor recebido.

No Evangelho (Mt 21,33-43), Jesus retoma essa imagem para falar da responsabilidade daqueles que receberam a vinha. Os vinhateiros se esquecem de que a vinha não lhes pertence. Querem tomar posse dela e recusam até mesmo o filho enviado pelo proprietário. Por isso, Jesus conclui: "O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos" (Mt 21,43).

A pergunta que as leituras deixam para nós é simples e profunda: que frutos estamos produzindo na vinha de Deus?

São Francisco de Assis nos oferece uma resposta luminosa. Jovem, filho de um rico comerciante, Francisco sonhava com honras, riquezas e prestígio. Mas Deus foi transformando seu coração. Um dos momentos decisivos de sua conversão aconteceu quando encontrou um leproso. Francisco, que antes sentia repulsa diante daquela situação, aproximou-se, desceu do cavalo e abraçou aquele homem. Mais tarde, ele reconheceria naquele gesto uma obra da graça de Deus.

Francisco começou a perceber que a vinha do Senhor não era lugar para conquistar poder, mas para servir. Não queria possuir as pessoas, a natureza ou as coisas; queria recebê-las como dons. Despojou-se das riquezas e escolheu viver o Evangelho na simplicidade, junto aos pobres e marginalizados.

Por isso, São Francisco combina tão bem com a mensagem deste domingo. Ele não apenas ouviu a Palavra: deixou que ela produzisse frutos em sua vida. Frutos de pobreza, humildade, misericórdia, fraternidade e paz.

Sua vida também nos recorda que a vinha de Deus é muito maior do que nossos interesses pessoais. O mundo é a casa comum que recebemos para cuidar, e cada pessoa é alguém que merece ser acolhido com dignidade. Francisco chegou a chamar o sol de irmão e a lua de irmã, reconhecendo em toda a criação a marca do Criador.

Neste dia de São Francisco, podemos olhar também para a vida de tantos homens e mulheres que buscam viver o santo evangelho, e recordar que a espiritualidade de Francisco continua sendo um chamado vivo dentro da Igreja: voltar ao Evangelho, viver com simplicidade e colocar a vida a serviço dos irmãos.

A vinha é de Deus. Nós somos seus trabalhadores. O que Ele espera de nós não são palavras bonitas, mas frutos.

Que, pela intercessão de São Francisco de Assis, nossa vida produza frutos de justiça onde houver injustiça, frutos de bondade onde houver indiferença, frutos de reconciliação onde houver divisão e frutos de paz onde houver conflito.

E que, ao olhar para nossa vida, o Senhor possa encontrar uma vinha bem cuidada, fecunda e generosa.