Amanhã é dia 4 de outubro, dia de votarmos para uma escolha que determinará o rumo de nosso país. Além disto, é dia de São Francisco de Assis, um homem que transcendeu o
comum e se tornou modelo e referência para a humanidade. Francisco nasceu em Assis na Itália em 1182, e transformou-se de uma juventude rica e despreocupada para símbolo universal de humildade, pobreza e amor à natureza. Ele pouco pregou, mas encarnou sua crença despindo-se de si para cuidar dos necessitados, e seu confronto foi a mansidão e o amor.
No nível em que presenciamos a dificuldade de existir respeito na prática política, a partir de qual grupo e referencial será possível crer que o futuro dará certo quando no presente presenciamos sintomas que se configuram como falta de correspondência na articulação do próprio ato político enquanto pilar que busca resolver conflitos para o bem comum? É fácil perceber quem está a favor e quem está contra.
O quão danoso isso é para as relações interpessoais que se traduzem em mecanismos de defesa como racionalização, negação, deslocamento, regressão, formação reativa, projeções - linhas tênues que se configuram como extorsões estratégicas, usadas como recurso para redução de sintomas coletivos que servem para proteger a mente de conflitos internos que ainda não puderam ser tratados? Difícil entender o ataque como meio de articulação quando o assunto que continua em pauta é a própria democracia.
Além das diferenças que se configuram confronto destrutivo, nome próprio do pensamento atual contemporâneo, eu espero que, apesar das dificuldades, tão grandes e urgentes, possamos votar no exercício do direito individual, mas com o pensamento voltado para as necessidades da nação, sem transgredir o entendimento e direito do outro. E enquanto democracia, que o modelo de Francisco de Assis nos sirva para entender este chamado como urgência viva ainda nos dias de hoje.
Tudo no Brasil e no Mundo está urgente – fome, miséria, guerra, preconceito, desrespeito. Então, que saibamos votar, tendo presente que a democracia existe para que o exercício coletivo possa permanecer, e que as escolhas sejam baseadas em candidatos que estejam ao lado das causas mais urgentes.
Música “Meninos Eu Vi”, Quarteto em Cy e MPB 4.
A autora é psicanalista, especialista pela USP – Departamento de Psicologia, Psicóloga Clínica formada pela USC, responsável pelas páginas @zogheibclaudia, @cinemaeartenodiva, @livros.no.diva, @auguri_humanamente .