Os dois presos na operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (2) pela Polícia Civil, por meio do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru, atuavam como personal trainers em uma academia na cidade e estavam em posse de anabolizantes sem registro regular na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma clínica também foi interditada pela Vigilância Sanitária Municipal, em conjunto com o setor de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). As informações são da Polícia Civil.
Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, a operação integra investigação sobre suposta rede de prescrição, fornecimento e comercialização clandestina de anabolizantes sem registro na Anvisa, hormônios e medicamentos de uso veterinário em Bauru.
A apuração começou após a morte suspeita da atleta de fisiculturismo e advogada Larissa Rossini, em 31 de março deste ano, e busca esclarecer se o uso combinado de diferentes substâncias pode ter contribuído para o óbito, entre eles o uso de medicamentos veterinários.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros Vale do Igapó, Residencial Terra Nova, Jardim Europa, Parque das Nações, Vila Universitária e Vila Aviação. Uma academia frequentada pela vítima e por investigados também foi alvo da operação, na zona sul da cidade.
Segundo a Polícia Civil, as diligências são resultado de mais de seis meses de investigação, que incluiu análise forense de dispositivos eletrônicos, diligências de campo, apoio do Ministério Público (MP) e assessoramento técnico especializado.
Durante as apurações, os investigadores identificaram indícios de que a atleta teria seguido um protocolo que reunia diferentes substâncias potencialmente prejudiciais à saúde. Entre elas, estaria o clembuterol, medicamento broncodilatador de uso veterinário que não é autorizado para finalidade estética ou esportiva em seres humanos.
Também estão sob investigação possíveis irregularidades envolvendo a comercialização e o fornecimento de anabolizantes, hormônios, medicamentos sujeitos a controle especial e produtos veterinários destinados ao consumo humano. Um médico está sendo investigado pela prescrição indevida desses, além do alvará de funcionamento vencido. A clínica do suspeito foi interditada pela Vigilância Sanitária Municipal.
Os investigados foram levados para prestar depoimento e, segundo o delegado Marcelo Góes, responsável pelas investigações, duas pessoas, que atuam como personal trainers, e não tiveram os nomes divulgados, foram presas em flagrante por crime contra a saúde pública, por estarem em posse de substâncias proibidas. A apuração considera, em tese, possíveis crimes de associação criminosa, contra a saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outra pessoa e homicídio culposo.
Para aprofundar a análise sobre as circunstâncias da morte da atleta, a Polícia Civil também contou com apoio técnico do Cremesp. O órgão recebeu quesitos médico-científicos relacionados aos possíveis efeitos cardiovasculares decorrentes da utilização combinada de anabolizantes, hormônios tireoidianos, diuréticos e clembuterol.
A análise busca verificar se existe eventual relação de causa ou contribuição relevante entre o conjunto de substâncias identificado durante a investigação e a morte da atleta. O objetivo é fornecer elementos científicos para determinar se o protocolo utilizado poderia ter contribuído para o resultado fatal.
A avaliação integra as demais medidas periciais e investigativas adotadas para esclarecer as circunstâncias do óbito. A Polícia Civil informou que o inquérito permanece sob sigilo e que os fatos ainda estão em fase de apuração.