Estamos assistindo, diariamente, a um desfile de conceitos sobre IA e novas aplicações no ambiente corporativo. A cada nova aplicação conhecida fica-se a impressão que não mais “sobreviveremos” corporativamente sem IA. O que não é, ainda, uma verdade absoluta, certo?
O fato a ser observado é que a dinâmica corporativa na qual estivermos inseridos e a velocidade da sua movimentação – competição direta e indireta – é que poderá ditar a nossa demanda por inovação tecnológica. Todas as organizações necessitam manter a sua relevância nos mercados em que atuam visando assegurar sua continuidade.
Algumas empresas e mercados ainda possuem baixa demanda por digitalização e ainda atuam com a transformação digital em velocidade mais lenta comparado com as grandes empresas globais.
Profissionais da área de IA normalmente “profetizam” que as empresas podem sobreviver no curto prazo sem IA, mas será que conseguem escalar, inovar ou manter competitividade a longo prazo em um mundo cada vez mais automatizado?
Uma das respostas: “sobreviver” sim, “prosperar” talvez não. Nessa linha alguns profissionais amenizam o diagnóstico prescrevendo a IA como diferencial competitivo, não como obrigação.
A IA deve ser vista como um instrumento estratégico, ou seja, uma vantagem que pode acelerar processos, mas não necessariamente o único caminho para o sucesso.
Uma questão instigante: será que depender demais da IA pode fazer com que empresas percam habilidades humanas essenciais, como criatividade, empatia ou tomada de decisões complexas? Seria uma “armadilha” essa dependência?
A IA como uma camada de Inovação Tecnológica e a Dimensão dos Dados A inovação tecnológica não transforma apenas processos: ela redefine a maneira como interpretamos o mundo. O avanço de ferramentas digitais, como inteligência artificial e big data, possibilita análises cada vez mais sofisticadas e personalizadas — uma revolução que se alimenta de dados. Esses dados podem ser classificados em:
Dados absolutos: são os números brutos que dão forma às nossas descobertas. Por exemplo, uma plataforma de e-commerce pode registrar que 100 mil pessoas acessaram seu site em um determinado período.
Dados relativos: esses dados já revelam o contexto por trás desses números, como o fato de que esse número representa um aumento de 25% em relação ao mês anterior. Essa diferença é essencial para compreender o impacto real da inovação.
Dados emocionais: há uma terceira camada, menos visível e igualmente poderosa: os dados emocionais. Por meio de análises de sentimentos em redes sociais ou feedbacks dos usuários, é possível captar percepções, frustrações e desejos. São essas informações que humanizam a tecnologia, permitindo que soluções sejam não apenas eficientes, mas também empáticas.
Assim, ao integrar dados absolutos, relativos e emocionais, a inovação tecnológica se torna mais estratégica, sensível e centrada no ser humano.
E por último e não menos importante, tem surgido mais reflexões nos aspectos éticos e sociais.
Um posicionamento equilibrado é entender a IA como diferencial competitivo, não uma obrigação, e sim um instrumento estratégico, ou seja, uma vantagem que pode acelerar processos, mas não necessariamente o único caminho para o sucesso.
Enfim, o que a IA não tem?
Sem a pretensão de esgotar o assunto, mas indicando tendências, pode-se sugerir algumas ideias para reflexão no que a IA ainda não possui:
Concluindo, apesar de seus avanços tecnológicos impressionantes, a IA ainda possui lacunas de elementos fundamentais que definem a experiência humana. A IA ainda não possui consciência, emoções genuínas, intuição ou valores morais próprios.
A compressão do mundo de forma subjetiva, com empatia ou criatividade no sentido humano podem ser os grandes desafios a serem pesquisados. As respostas são baseadas em padrões e dados, não em vivências ou sentimentos. Assim, embora seja um instrumento poderoso, a IA deve ser vista como um complemento à inteligência humana — não como um substituto. Cabe aos seres humanos guiar seu uso com responsabilidade, ética e sabedoria.
O autor é engenheiro, administrador, empresário, conselheiro consultivo e mentor