20 de setembro de 2026
ESQUEMA ILEGAL

Sangue de gatos era vendido por até R$800 no interior de SP

Por | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/PCSP
Os tutores dos animais recebiam R$ 50 por gato levado para a coleta.

Uma investigação da Polícia Civil aponta que bolsas de sangue de gatos coletado clandestinamente em Monte Alto (SP) eram revendidas por valores entre R$ 500 e R$ 800. Os tutores dos animais recebiam R$ 50 por gato levado para a coleta.

Cinco pessoas se tornaram rés após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público por maus-tratos e associação criminosa. 

Segundo a investigação, também havia pagamentos a pessoas envolvidas na captação e no transporte dos animais. Entre os registros estão diária de R$ 180, ajuda de R$ 25 para alimentação, um PIX de R$ 1.080 e R$ 400 pagos a uma intermediária.

O inquérito aponta ainda que os gatos eram sedados com quetamina e dexmedetomidina e que eram retirados 48 ml de sangue de cada animal. O procedimento, segundo a Polícia Civil, era realizado por um estudante do segundo ano de veterinária a distância.

Na operação, os agentes encontraram escalpes, tubos de coleta e bolsas armazenadas em caixa térmica. Laudos veterinários citados na investigação apontaram animais abaixo do peso, desnutridos e com risco de morte por redução do volume de sangue no organismo.

A acusação formal nesta ação penal envolve seis gatos. Outros números aparecem em depoimentos e mensagens analisados pela polícia: 28 animais teriam passado pela coleta no dia da abordagem, 38 em viagem anterior e uma mensagem de setembro de 2025 mencionava uma encomenda de 25 gatos.

O caso veio à tona em outubro de 2025, quando uma mulher encontrou o anúncio que oferecia R$ 50 por gato, simulou interesse e acionou a Guarda Municipal. Na primeira fase da investigação, três pessoas foram presas em flagrante, mas passaram a responder em liberdade.

Mercado negro

Cães e gatos precisam de transfusões de sangue em situações de emergência, cirurgias complexas ou tratamentos de doenças graves (como anemias profundas). Como a doação voluntária de pets ainda é baixa e os bancos de sangue legalizados enfrentam escassez, clínicas veterinárias recorrem a fornecedores externos. Os criminosos se aproveitam dessa necessidade crítica para abastecer o mercado ilegalmente.

Para maximizar o lucro, as coletas clandestinas ignoram qualquer protocolo de segurança e bem-estar animal: realizam os procedimentos em casas de família e locais improvisados, sem higiene básica; utilizam sedativos pesados (como quetamina) sem acompanhamento adequado; empregam mão de obra não qualificada ou estudantes, pagando diárias baratas em vez de contratar profissionais habilitados.

Com informações do g1.