Candidatos que fizeram Teste de Aptidão Física (TAF) para concurso da Polícia Penal nas dependências de uma universidade de Bauru, no último dia 6 de setembro, entraram em contato com a redação para reclamar das condições em que a prova eliminatória teria sido realizada, em pista com lama, buracos e irregularidades no piso, e com a presença de cachorros no trajeto. Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que as denúncias estão sendo analisadas.
Segundo relatos feitos pelos candidatos, a situação da pista onde o teste foi feito colocou em risco a integridade física dos participantes durante a execução dos exercícios e fez com que o princípio da isonomia não fosse respeitado, já que os TAFs teriam sido realizados em condições melhores em outros municípios.
"Há vídeos e fotografias que registram as condições da pista, inclusive imagens de candidatos que teriam sofrido quedas durante a realização do TAF, possivelmente em razão das condições do local", disse um deles, que terá a identidade preservada. "As condições da pista, somadas à chuva e aos obstáculos existentes, podem ter interferido diretamente no desempenho dos participantes".
Os denunciantes afirmam, ainda, que a banca organizadora tem histórico de questionamentos e processos judiciais relacionados à realização de concursos anteriores, motivo pelo qual eles defendem uma apuração independente sobre esta etapa. Eles afirmam que enviaram e-mail à organização e não obtiveram resposta.
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) também entrou no caso solicitando esclarecimentos e defendeu que a isonomia não teria sido respeitada. "Durante a aplicação, um grupo de candidatos realizou a prova sob forte chuva. A pista, encharcada, tornou-se tão escorregadia que provocou quedas e lesões, incluindo deslocamento de ombro de um dos candidatos", revela em postagem em sua página oficial.
"Enquanto esses candidatos arriscavam a segurança em uma superfície sem aderência, outros grupos fizeram os mesmos testes com a pista seca e em condições adequadas. A diferença não foi de desempenho ou de preparo, mas sim de sorte".
O Sindicato também criticou a alteração da ordem dos exercícios. "O edital previa expressamente que o tiro de 50 metros seria o terceiro exercício da sequência. No dia da prova, ele foi alocado para ser o primeiro exercício do dia", explica.
"A consequência foi imediata: quem não atingiu o índice necessário no tiro foi eliminado logo no início, sem ter a chance de realizar as demais etapas. Uma decisão que pode parecer uma simples reorganização logística, mas que funcionou como uma peneira sumária antes mesmo de o candidato poder demonstrar seu preparo completo".
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a Comissão Especial de Concurso Público da Polícia Penal analisa as denúncias apresentadas e, em caso de irregularidades, adotará medidas cabíveis.
"O Instituto AOCP, organizador do concurso, informou que, por conta das fortes chuvas, foi registrado um atraso na primeira bateria da prova, mas logo houve normalização das condições adequadas para a realização dos testes", diz a SAP.
"Com relação às alegações de tratamento desigual nas condições de realização do TAF em outros municípios, a empresa comunicou que a alteração na sequência de realização dos exercícios foi realizada em todos os locais de aplicação, sem distinção entre os candidatos", complementa.