18 de setembro de 2026
OPINIÃO

Um pedaço do Japão


| Tempo de leitura: 3 min

Corria o ano de 1919, numa manhã fria de julho, vindos da região sorocabana, chegaram em Jundiaí as primeiras famílias pioneiras de lavradores japoneses. As famílias Nagayama, Yano, Sannomiva e Yamamoto alugaram uma área de aproximadamente de oito alqueires perto da estação ferroviária; Em vez de focarem na monocultura de café, eles começaram a produzir hortaliças, arroz e batata, introduzindo sistemas de policultura e agricultura intensiva que abasteciam o comércio local. Foi com este contato com a terra, que se renovou suas energias e amenizaram as marcas de saudade de deixar o seu país distante. 

Quando, no final da 2ª guerra mundial, no dia 9 de setembro de 1945, dois nomes e estabelecimentos comerciais foram fundamentais para acolher o forte desejo de todos os lavradores japoneses. Sr. Muragaki, proprietário do Bar Pinguin e Sr. Ueda, proprietário da Tinturaria Ueda, que criaram, com mais 64 pessoas, a sociedade “Nihonjinkai. Em 1958, Chideo Chicuta como presidente do Bunka Kiyokai, vertente que depois se reunificou, para consolidar aquilo que era o maior sonho da comunidade japonesa, a Associação Cultural Beneficente Nipo Brasileira Jundiaí. 

Os encontros mensais aconteceriam justamente nesses comércios ou nas casas das famílias que dispunham de maior espaço físico para abrigar a todos. Com o correr dos anos e com o desenvolvimento industrial da cidade, incrementou-se o número de famílias associadas. Na nova situação, a Nipo brasileira aspirava a construção num imóvel próprio.. Foi através do mútuo esforço e grande determinação que, no ano de 1989, a Prefeitura Municipal fez a doação de uma área de 10.000 m2 para a construção da almejada sede, na Avenida   Osmundo dos Santos Pellegrini , 700. 

Neste sábado, fui ao Festival do Almoço Oriental. Frequentador, de muitas festas, fiquei impressionado com o forte apelo comunitário. Tradição, culinária típica, solidariedade em saborosa e inesquecível celebração. Confesso, no entanto, que fiquei perplexo. A Nipo Brasileira ocupa a área. Atividades da cultura japonesa em Jundiaí estão concentradas na preservação de tradições, na prática de artes marciais e em uma cena gastronômica muito forte. O coração dessas manifestações é a própria Nipo Jundiaí.

As atividades culturais: Festival Matsuri, realizada no Parque da Uva, jantares temáticos e beneficentes, Práticas Esportivas e Artes Marciais, Karate e Judô,  gastronomia oriental, além de práticas de arte de espada japonesa. A sede ainda possui um mini campo de futebol, um playground e campos de Gateball. A maioria dos associados, lavradores e agricultores japoneses, que desempenharam um papel revolucionário no desenvolvimento da região de Jundiaí. 

De um modo geral, os lavradores mudaram os hábitos alimentares do nosso trivial. Eles introduziram imensamente alimentos como verduras, legumes e frutas. Quero agradecer a Nipo Jundiai a alegria que senti pelo fato de vivenciar momentos tão inesquecíveis. E dedicar a coluna de hoje a essa associação, a Nipo Jundiai.  Não posso encerrar a coluna desta semana sem deixar um registro público a Maria Higo (Kioko Higo). Mulher japonesa, que veio no ventre de sua mãe, no navio Hakata Maru e nasceu em Bastos, sendo a primeira japonesa brasileira. Maria Higo, hoje, com 97 anos de idade, foi uma modista que vestiu as mulheres elegantes da nossa sociedade e, principalmente, as candidatas a Miss Brasil, na áurea dos concursos. Esta japonesa mora em meu coração. Muito obrigado por tudo sempre.

 

Guaraci Alvarenga é advogado