12 de setembro de 2026
COLUNISTA

O medo da rejeição

Por Carlos Brunelli |
| Tempo de leitura: 3 min

Simplesmente pelo medo de serem rejeitadas, pessoas desenvolvem mecanismos de defesa nem sempre saudáveis. O problema é que ser rejeitado faz parte da vida. Cedo ou tarde, mais dia menos dia, por um motivo ou outro, todos seremos rejeitados. A questão a ser tratada, então, é como esse receio é vivenciado para que ele não influencie negativamente e imponha limitações na vida.

Quem carrega o medo da rejeição posiciona-se com a convicção mental da possibilidade dela realmente acontecer. Essa certeza por vezes é inconsciente e a angústia do momento, mesmo sem a presença de indícios da evidência, acarreta ansiedade. Esse abalo emocional acaba por desembocar em problemas de saúde e de relacionamento interpessoal, propulsionando trato inadequado na conexão com outras pessoas, provocando conflitos involuntários e isolacionismo pelo afastamento daqueles atingidos pelas reações desproporcionais. O resultado não poderia ser outro a não ser o do círculo se fechando em uma maior sensação de rejeição.

Outra consequência é a autocomiseração, porque acreditam que os outros não enxergam as características positivas que carregam e só destacam as negativas. Esquecem que ninguém consegue agradar a todos o tempo todo; que um não ou uma crítica não define quem você é nem o quanto é importante ou necessário. Que apenas, naquele momento, naquela circunstância e naquele cenário, houve outra opção.

Nas civilizações antigas, onde havia uma clara divisão entre castas, a rejeição a determinados grupos era evidente. Escravos eram ignorados como seres humanos, sendo tratados simplesmente como mão de obra barata e descartável. Quem não fazia parte da nobreza ou do ciclo de poder não tinha direito a opinião ou posicionamento; quase um fardo inevitável.

Na época de Jesus, mulheres não eram aceitas em determinados círculos sociais; prostitutas eram marginalizadas; doentes, como os leprosos, afastados do convívio da comunidade; deficientes físicos e mentais entregues à própria sorte. Até o próprio Messias foi repelido por sua família (Marcos 3:21), desacreditado pelo poder dominante e perseguido pelos de sua própria etnia. A rejeição não é um problema atual e que atinge apenas a sociedade moderna.

Então, como enfrentar essa realidade? A Bíblia tem uma abordagem direta sobre o assunto: "Porque se o meu pai e a minha mãe me abandonarem, o SENHOR me acolherá" (Salmos 27:10). O próprio Jesus, que sentia na pele os efeitos da não aceitação, tratava os marginalizados e rejeitados rompendo barreiras culturais, sociais e religiosas. Ele oferecia acolhimento e restauração da dignidade dos rejeitados através do combate a hipócritos rótulos morais que definiam a exclusão. Era um olhar além do ser humano em sua condição física, social ou cultural, evitando julgamentos e trazendo esperança.

Jesus sabia bem o que era ser rejeitado, assim como observava o efeito da acusação sobre aquele que já carrega em si um sentimento de culpa por ser doente, deficiente ou segregado, pois tais indivíduos eram tidos como pecadores e afastados da convivência. E a solução por Ele proposta, o convite para quem sente o peso da vida ecoa desde dois séculos atrás: "Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei" (Mateus 11).

A vida traz dores, obrigações, cansaço e recusa. Mas Jesus oferece paz para o coração de quem se aproxima, e ensina que andar ao lado dele alivia o peso do fardo a carregar. Jesus não exige perfeição e não permite que sua condição determine ou imponha limitações à sua vida.