09 de setembro de 2026
GAECO/CORRUPÇÃO

Secretários municipais de Bauru e mais três são presos pelo Gaeco

Por Bruno Freitas e Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Estão na CPJ nesta quarta-feira (9) Cilene Chabuh Bordezan e Vitor João de Freitas Costa, além de uma secretária adjunta, um coordenador de políticas públicas e a presidente da Ascam

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), prendeu e levou de viatura policial para prestar depoimento, nesta quarta-feira (9), Vitor João de Freitas Costa, secretário de Negócios Jurídicos; Cilene Bordezan, secretária de Meio Ambiente; Sara Moura de Jesus, secretária-adjunta de Meio Ambiente; e Roldão Neto, coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente. Também foi detida Gisele Moreti, presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam). Eles estão na Central de Polícia Judiciária (CPJ) da Polícia Civil de Bauru. A casa de Cilene, em Sorocaba, também é alvo de apuração. Em Bauru, a investigação está no Centro Administrativo, especificamente na Secretaria de Meio Ambiente, na Vila Falcão, na sede da Secretaria de Negócios Jurídicos, na rua Araújo Leite, e na sede do governo, na Praça das Cerejeiras. Os servidores públicos foram dispensados do serviço.

Conforme o JCNET noticiou, o Gaeco deflagrou a Operação Cavalo de Troia para desarticular uma fraude licitatória na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos da Prefeitura de Bauru. O contrato de 30 anos é de R$ 5,2 bilhões. Em conjunto, houve o cumprimento de diligências também na Operação Mobius, visando a esclarecer irregularidades em contrato de coleta seletiva.

Segundo o apurado, a contratação tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, em números de fevereiro de 2026. Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru. Segundo o GAECO, sua dimensão econômica e duração tornam especialmente graves os indícios de captura da licitação por interesses privados. Elementos reunidos na investigação indicam que a fraude não se limitava à inclusão de uma cláusula restritiva no edital. O esquema teria sido construído por camadas, desde a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos até a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, a preparação de documentos oficiais e a reação diante de impugnações e potenciais concorrentes. A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada, interessada em vencer o certame.

As apurações apontam, ainda, a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada. Foram identificados indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos, interferência na elaboração de manifestações administrativas e estratégias destinadas a reduzir a competição e preservar o direcionamento do certame. Ficou igualmente demonstrada uma tentativa de expansão do esquema para a cooptação de agentes públicos e a neutralização de mecanismos de controle. Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão. Comunicações interceptadas revelaram planos de aproximação e infiltração de pessoas em instituições públicas, com o objetivo de obter informações privilegiadas e viabilizar a oferta de vantagens indevidas. Essas investidas integram, segundo a investigação, uma arquitetura mais ampla de aproximação, influência e possível corrupção de diversos agentes públicos, inclusive em projetos de outros municípios, também com valores bilionários. 

A operação tem por finalidade aprofundar a apuração dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, sem prejuízo de outros delitos que venham a ser identificados. As medidas judiciais, autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária – Bauru, buscam preservar provas, esclarecer a origem e o destino de pagamentos e identificar a participação individual de cada investigado.

NOTA DA PREFEITURA

A Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação institucional do Ministério Público do Estado de São Paulo e o trabalho desenvolvido no âmbito das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

"A Administração Municipal irá colaborar integralmente com as autoridades competentes e permanece à disposição para fornecer documentos, informações e todos os esclarecimentos que forem solicitados no decorrer das investigações. Até o momento, a Prefeitura não foi oficialmente informada sobre o inteiro teor do objeto da investigação, tampouco teve acesso aos elementos que fundamentaram as diligências realizadas nesta quarta-feira (9). Diante disso, a Administração Municipal considera necessário aguardar o conhecimento formal dos fatos e dos documentos relacionados à investigação antes de se manifestar sobre questões específicas. A Prefeitura reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público e prestará todo o apoio necessário para o completo esclarecimento dos fatos", diz o texto enviado pela Secretaria de Comunicação.