05 de setembro de 2026
COLUNISTA

Uma mudança verdadeira

Por Carlos Brunelli | Igreja Batista do Estoril
| Tempo de leitura: 3 min

O mês de agosto ficará marcado, entre outros acontecimentos, pela morte de duas importantes figuras da dramaturgia televisiva brasileira; Laura Cardoso e Glória Menezes. A primeira, aos 98 anos de idade, na noite de 17. A segunda, na tarde de 18, aos 91 anos. Laura, em São Paulo; Glória, no Rio de Janeiro.

Falar de suas trajetórias artísticas seria repetir comentários e reportagens muito mais aprofundadas e especializadas. Também não é este o intuito desta reflexão. Queremos falar sobre os nomes.

Laura Cardoso nasceu Laurinda de Jesus Balleroni. Aos quinze anos de idade adotou o nome artístico que a consagrou, após sugestão de um colega da Rádio Cosmos, na qual trabalhava em radionovelas, por ele achar que Laurinda não tinha sonoridade e não seria facilmente assimilável pelo público. Chegou a sugerir Lana e Luna, antes de finalmente concordarem com o Laura.

Com Glória Menezes o modelo foi um pouco diferente. Seu nome de batismo – Nilcedes Soares Magalhães – surgiu de uma homenagem aos pais Nilo e Mercedes. Quando iniciou a carreira artística resolveu adotar o Glória “porque glória é glória em qualquer idioma”, conforme confessou em entrevista, e o Menezes veio de suas raízes portuguesas.

No Oriente Antigo, os nomes eram eivados de significado. Na bíblia temos diversos personagens que também tiveram seus nomes alterados, porém não por razões de sonoridade, difícil assimilação ou de cunho exclusivamente pessoal. Havia uma motivação e um propósito divinos para essa mudança. O primeiro relato que se tem, aconteceu com o patriarca Abraão: seu nome original Abrão, que significa pai honrado, foi modificado para Abraão – que significa pai de multidões – quando Deus selou com ele a promessa de que seria o ancestral de uma grande nação. Sua esposa Sarai, cujo nome pode ser traduzido para minha princesa, foi redenominada para Sara, que quer dizer princesa, num sentido mais amplo, como a indicar que sua influência e matriarcado não ficariam restritos à sua casa, mas sim geraria nações e reis ao longo dos séculos.

Duas gerações depois, o neto de Abraão, Jacó (que traz a noção de suplantador – pessoa que toma o lugar de alguém por astúcia ou ludíbrio) passou a se chamar Israel, cuja significação é a de aquele que prevalece (persiste ao longo do tempo) com Deus. Josué, que herdou de Moisés o comando do povo hebreu para conquista da Terra Prometida, originalmente se chamava Oséias, ou salvação em hebraico. Ao ter o nome alterado pelo seu antecessor, mentor e líder, passou a significar Deus é a salvação, apropriadamente para ressaltar que as conquistas alcançadas não seriam por obra própria, mas sim por auxílio, zelo e intervenção do Todo-Poderoso.

Uma das mudanças de nome mais relevante e instigante presente nos escritos bíblicos talvez seja a do apóstolo Pedro, pela guinada que ela representou em sua maneira de agir. Simão, seu nome original, significa o que ouve; e o ouvinte fica ao sabor de suas próprias interpretações sobre o que está sendo falado, flutua no entendimento e, por isso, é inconstante. Já quando Jesus o nomina Petros (do grego Πέτρος - adaptação de pedra para o nome próprio masculino), estabelece nele uma base, uma ousadia e liderança; uma firmeza na fé pela forma como no Mestre reconheceu o Messias (Mateus 16); e de seu posterior amadurecimento e firmeza de caráter na proclamação do Evangelho. Acaba também por, num espirituoso jogo de palavras, consolidar a diferença para ele próprio, Jesus, que é a Rocha (πέτρα) perpétua e inabalável, sobre a qual a igreja foi erigida e firmada.

Uma real metamorfose na vida acontece quando é permitido que Deus a altere de dentro para fora e opere transformações profundas no interior do ser, robustecendo-o na fé, tornando-o um entusiasta proclamador do Evangelho e exemplo vivo das boas-novas, segundo os soberanos propósitos do Senhor. Permita-se!