1ª) – Quando a paciente não tem condição sistêmica adequada. Não tem diabete? O paciente é oncológico em tratamento e controle? Tem doença autoimune ativa? Se alimenta adequadamente ou faz regime alimentar induzido ou não por medicamentos? E a função renal e hepática? Como estão os exames?
2ª) – Quando a paciente tem doença óssea que esclerosou seu trabeculado, deixando-o tão denso e mineralizado, sem espaço para a inflamação e sem tempo para ela atuar contra as bactérias que chegam ao local.
CONDIÇÃO SISTÊMICA
A defesa do organismo está principalmente no sangue e seus agentes são fabricados na medula óssea, o local onde mais células proliferam no organismo.
Quando faltam nutrientes, a anemia e a leucopenia se instalam, pois a medula não tem as proteínas, vitaminas e íons necessários para tamanha produção de células e substâncias como os anticorpos ou imunoglobulinas, complemento e outros. É o que acontece nas pessoas que fazem regimes das mais variadas formas.
No diabete melito, de cada três pacientes um não sabe que o tem, a glicose não consegue entrar nas células, pois falta a insulina que representa a chave de entrada para este combustível celular essencial. Sem glicose, a produção de anticorpos e a proliferação celular ficam reduzidas, deixando o organismo com suas defesas reduzidas.
São dois exemplos de condição sistêmica debilitada e o porquê a colocação de implante pode levar a osteomielite na mandíbula ou maxila. A osteomielite representa uma inflamação menos eficiente das estruturas ósseas o que leva a não resolução do processo antimicrobiano, que vai cada vez mais se expandindo no local inicial da penetração bacteriana.
Quando a condição sistêmica é saudável, a inflamação e seus agentes logo atuam sobre as bactérias, debelando a sua proliferação e eliminando-a do local. A inflamação das estruturas ósseas ficam limitadas aquela área e se resolverá, promovendo o reparo, a ultima fase de inflamação bem-sucedida, que no caso será a osseointegração. Esta inflamação limitada ao local de entrada e seus arredores imediatos se chama osteíte.
CONDICÃO ÓSSEA LOCAL
Para o osso se defender precisa dos vasos que levam o sangue até seu interior. O sangue é onde circula a maior parte dos agentes de defesa, como os leucócitos e os anticorpos.
Se o osso for denso, com muitas trabéculas e pouco tecido mole entre elas, se diz que é muito esclerosado. Em densidades extremas com muita esclerose e pouco espaço para os tecidos moles, as células e os agentes de defesa não tem tantos vasos para chegar ao local de entrada de bactérias, o que pode acontecer na colocação de implantes.
Não haverá quantidade e tempo necessário para eliminar as bactérias que proliferarão e se espalharão para a vizinhança, evoluindo de uma osteíte, tipo perimplantite, para uma osteomielite em poucos dias. Isto pela densidade muito aumentada onde se colocou o implante.
Entre as doenças esclerosantes que se tem nos maxilares está a Displasia Cemento Óssea Florida, a Picnodisostose e a Doença de Paget. A Displasia Cemento Óssea Florida é diagnosticada frequente e equivocadamente, como esclerose induzidas por agentes antirreabsortivos usados na oncologia.
Quando o osso for irradiado, igualmente ficará com poucos vasos e células por 5 a 10 anos. Sua capacidade de renovar-se e resistir a uma invasão sutil de bactérias é mínima e esta situação se chama osteorradionecrose. Qualquer bactéria que chegar ali, pode gerar uma osteorradiomielite, a osteomielite que ocorre em osso irradiado.
REFLEXAO FINAL
Se nas cirurgias de implantes entrar bactérias, os componentes da inflamação irão controlá-las juntamente com antibióticos administrados. A inflamação no local será uma osteíte, que poderá ser chamada de perimplantite. Mas se a condição sistêmica não for saudável, ou o paciente tiver uma doença óssea esclerosante nos maxilares que não foi diagnosticada, aí poderemos ter a evolução para a osteomielite.