05 de setembro de 2026
ELEIÇÕES 2026

Bauru tenta quebrar jejum e tem 22 candidatos; SAIBA QUEM SÃO

Por João Jabbour | Diretor de Jornalismo
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru chega à eleição de 2026 diante de um dos maiores desafios políticos de sua história recente: voltar a ter representantes próprios na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados, em Brasília. A cidade, que já teve deputados estaduais e federais de peso, entra na atual disputa sem nenhum parlamentar que represente o município ocupando uma cadeira nas duas Casas.

O cenário, porém, não é de escassez de candidaturas. Ao contrário. São 21 nomes (veja lista completa ao final da matéria) com vínculos políticos com Bauru na disputa deste ano: 12 candidatos a deputado federal e 10 a deputado estadual. A quantidade é menor do que a registrada em 2022, quando 36 nomes disputaram os dois cargos, mas ainda representa uma pulverização considerável do eleitorado.

A eleição, portanto, coloca uma questão que vai muito além da escolha individual de cada candidato: Bauru conseguirá concentrar votos suficientes em um ou mais nomes para transformar sua força eleitoral em representação política? Não tem sido assim nas últimas eleições. É preciso buscar votos também em outras cidades do Estado para se ter chances de eleição. Somos 277.515 eleitores.

OS 22 CANDIDATOS LOCAIS

Na disputa por uma cadeira na Câmara Federal estão Eduardo Borgo (Novo), Dr. Raul (Cidadania), André Maldonado (PP), Rodrigo Agostinho (PSB), Capitão Augusto (PL), Nelson Dabus (PSDB), Ricardo Crepaldi (Democrata), Natalino da Pousada (PDT), Dário Dudario (PSD), Ricardo Amantini Filho (União), Adriana Perfeito (Avante) e Graziela Galvão (PL).

Para a Assembleia Legislativa, concorrem Ivo Leite (Cidadania), Junior Rodrigues (PSD), Estela Almagro (PT), Junior Lokadora (Podemos), Anderson Prado (MDB), Lúcia Rosim (PSD), Thaís Viotto (PSB), Poeta (PSDB), Thiago Lira (PRD) e Marcela Afonso (Solidariedade). A relação corresponde ao levantamento divulgado após o encerramento do prazo de registro das candidaturas.

A redução do número de candidatos em relação a 2022 pode, em tese, favorecer uma concentração maior de votos. Há quatro anos, Bauru teve 36 candidaturas locais entre as duas disputas. O problema é que a diminuição, por si só, não garante que o eleitorado vá se concentrar.

O FANTASMA DA PULVERIZAÇÃO

Os números de 2022 ajudam a explicar por que a cidade chegou a 2026 sem representantes próprios. Naquele ano, excluído o desempenho de Rodrigo Agostinho, que já era deputado federal e disputava a reeleição, os candidatos de Bauru à Câmara Federal somaram apenas 47.809 votos no município. Na disputa para deputado estadual, os candidatos locais somaram 31.103 votos. 

O problema ficou ainda mais evidente porque uma parcela significativa do eleitorado de Bauru (50%, em média) escolheu candidatos de outras cidades. Rodrigo Agostinho havia conseguido uma votação excepcionalmente concentrada na cidade em 2018. Naquele ano, recebeu 80.519 votos em Bauru, correspondentes a 44,41% dos votos válidos do município, e terminou eleito deputado federal com 100.179 votos em todo o Estado. Foi o primeiro deputado federal da região de Bauru eleito desde 1998, quando Tuga Angerami foi eleito.

Quatro anos depois, entretanto, Agostinho não conseguiu a reeleição. A queda de aproximadamente 40 mil votos em Bauru foi apontada como um dos fatores determinantes para o resultado. E, principalmente, os votos perdidos não foram transferidos em bloco para outro candidato local.

O exemplo demonstra a dimensão do problema: mesmo quando Bauru consegue produzir uma candidatura competitiva, ainda precisa impedir que o restante do eleitorado seja pulverizado entre dezenas de concorrentes ou migre para candidatos de outras regiões.

NÃO BASTA SER O MAIS VOTADO DE BAURU

Outro aspecto fundamental da eleição de 2026 é que o eleitor precisa compreender que deputado estadual e deputado federal não são escolhidos pelo sistema majoritário. A votação é proporcional. O desempenho do candidato depende não apenas de seus votos individuais, mas também da votação acumulada por seu partido ou federação. É esse conjunto que determina quantas cadeiras cada legenda terá direito.

Em 2022, por exemplo, o quociente eleitoral paulista foi de 332.671 votos para deputado federal e 246.239 votos para deputado estadual. São Paulo tem 70 cadeiras na Câmara dos Deputados e 94 na Assembleia Legislativa. 

Isso não significa que um candidato precise necessariamente atingir sozinho esses números. Significa que sua candidatura precisa estar inserida em uma estrutura partidária capaz de conquistar cadeiras.

É justamente aí que entra uma das principais dificuldades para candidaturas de cidades médias: não basta possuir uma votação expressiva localmente; é preciso estar em um partido ou federação com desempenho estadual suficiente para converter aquela votação em cadeira.

No sistema proporcional, um candidato pode receber mais votos individualmente e ainda assim não ser eleito, enquanto outro, com votação nominal menor, pode conquistar uma cadeira em razão do desempenho de sua legenda.

A CIDADE PERDEU ESPAÇO POLÍTICO

A ausência de representantes próprios também produz consequências práticas. Deputados federais controlam uma parcela importante da distribuição de recursos por meio de emendas parlamentares e participam diretamente da formulação e votação de políticas nacionais. Cada um possui cerca de R$ 35 milhões por ano para distribuir aos municípios de sua base. Deputados estaduais, por sua vez, atuam sobre o orçamento paulista e têm influência em áreas particularmente importantes para Bauru, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e transporte. Estes têm, em média, R$ 15 milhões para emendas no Orçamento público.

A cidade pode, evidentemente, receber recursos de parlamentares de outras regiões. E recebe. O problema é a ausência de um representante cujo principal compromisso eleitoral esteja diretamente ligado a Bauru e à sua região.

A própria existência de parlamentares de fora destinando recursos ao município demonstra que o problema não é simplesmente ter ou não ter emendas. A questão é quem tem interesse político permanente em defender Bauru nas negociações com os governos estadual e federal.

Essa discussão ganha peso em uma cidade que enfrenta problemas estruturais de grande dimensão — tratamento de esgoto ainda inexistente, abastecimento de água, saúde, infraestrutura viária, desenvolvimento econômico e obras públicas — e que frequentemente depende de articulações em Brasília e no Palácio dos Bandeirantes.

A eleição de 2026 é uma oportunidade — mas também um risco. A redução de 36 para 21 candidatos pode representar uma oportunidade para Bauru. São 15 candidaturas a menos disputando o mesmo eleitorado local. Se parte desses votos se concentrar em poucos nomes, a cidade poderá aumentar significativamente sua capacidade de eleger representantes.

 O grande desafio de Bauru em 2026, portanto, não é simplesmente escolher entre 21 candidatos. É decidir se o eleitorado será novamente fragmentado entre diferentes projetos políticos ou se haverá concentração suficiente para transformar a força eleitoral da cidade em representação.

Segundo análises e conclusões do programa Café com Polítia (JC/JCNET 96FM), o que desapareceu, nos últimos anos, não foi a capacidade de Bauru de produzir votos. Foi a capacidade de organizar esses votos em torno de projetos eleitorais suficientemente competitivos e, acima de tudo, a falta de líderes autênticos, que concentrem votações expressivas.

Até 4 de outubro, portanto, a pergunta permanecerá aberta: Bauru continuará sendo uma cidade com muitos votos (277.515) e pouca representação ou conseguirá, finalmente, transformar seu peso eleitoral em cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados?

A resposta não estará apenas no desempenho individual dos 22 candidatos. Estará, sobretudo, na capacidade de Bauru de fazer aquilo que não conseguiu nas últimas eleições: concentrar votos, ampliar sua influência regional e transformar eleitorado em poder político.

DEPUTADO (A) FEDERAL

1- Eduardo Borgo (Novo)
2- Dr. Raul (Cidadania)
3- André Maldonado (PP)
4- Rodrigo Agostinho (PSB)
5- Capitão Augusto (PL)
6- Nelson Dabus (PSDB)
7- Ricardo Crepaldi (Democrata)
8- Natalino da Pousada (PDT)
9- Dário Dudario (PSD)
10- Ricardo Amantini Filho (União)
11- Adriana Perfeito (Avante)
12- Graziela Galvão (PL)

DEPUTADO (A) ESTADUAL

1- Junior Rodrigues (PSD)
2- Estela Almagro (PT)
3- Junior Lokadora (Podemos)
4- Anderson Prado (MDB)
5- Lúcia Rosim (PSD)
6- Thaís Viotto (PSB)
7- Poeta (PSDB)
8- Thiago Lira (PRD)
9- Marcela Afonso (Solidariedade)
10 - Ivo Leite (Cidadania)