A escolha
A ex-vereadora Chiara Ranieri (União) foi a entrevistada desta sexta-feira (21) do Café com Política e explicou por que decidiu não disputar uma vaga de deputada estadual, apesar de ter recebido apoio partidário e recursos para estruturar uma campanha. A justificativa apresentada combina questões profissionais, familiares e pessoais com uma avaliação política.
Liderança
Perguntada por João Jabbour sobre o papel de liderança política que muitos esperam dela, a ex-vereadora afirma que, depois de perder a eleição para prefeita, entendeu que deveria se afastar da disputa política e deixar o papel de oposição para quem ocupa cargos eletivos. Ela considera que sua atuação como vereadora de oposição já foi avaliada pelos eleitores e que a Câmara atual deve exercer o papel de fiscalização do governo Suéllen Rosim.
Equidistância
O ponto gera um contraponto interessante: Reinaldo Cafeo questionou se a ausência prolongada pode fazer uma liderança perder relevância e defendem que quem pretende disputar novamente a Prefeitura precisa permanecer presente no debate público. Embora diga que seu futuro está "muito em aberto", Chiara reconhece que é difícil ficar distante da política e que costuma ser procurada durante os períodos eleitorais. Assim, ela não descarta uma candidatura futura a vereadora ou prefeita.
Nível lá embaixo
Um dos principais pontos políticos do Café, mais uma vez, foi a avaliação de que Bauru sofre com carência de lideranças políticas. Chiara afirmou que formar novos líderes é difícil por causa de uma divisão histórica entre grupos e projetos pessoais que fazem o nível da política local muito baixo. O debate apresentou, em síntese, uma leitura recorrente sobre a política bauruense: há nomes, mas faltam união, estrutura e liderança capazes de transformar esses nomes em grupos políticos consistentes.
Perspectiva ruim
Chiara considera difícil a eleição de um representante local, principalmente pela necessidade de votos fora de Bauru e pela estrutura das chapas partidárias. Ela destaca que o desempenho depende não apenas da votação individual, mas também do partido, da chapa, dos chamados "puxadores de votos" e do coeficiente eleitoral. Na avaliação dela, a cidade pode terminar a eleição sem eleger deputado, cenário que ela classifica como muito difícil de evitar.