22 de setembro de 2026
ORGANIZER

O excesso que ninguém percebe


| Tempo de leitura: 2 min

Você já abriu uma gaveta, olhou para dentro e pensou: “Por que eu ainda guardo tudo isso?” Talvez tenha acontecido também diante do guarda-roupa, de uma prateleira ou daquele armário que parece estar sempre cheio, mesmo depois de uma boa organização.

É curioso como nos acostumamos ao que está ao nosso redor. Algumas coisas permanecem por tanto tempo que deixam de ser percebidas. Ocupam espaço, mas já não participam verdadeiramente da nossa vida.

São objetos que não usamos, roupas que esperam uma ocasião que nunca chega, coisas guardadas “para um dia” que talvez nunca aconteça. Mas existem outros excessos, muito mais silenciosos: hábitos que perderam o sentido, escolhas adiadas, tarefas que poderiam ser simplificadas e até espaços que continuam organizados para uma vida que já mudou.

Nem todo excesso faz barulho. Alguns simplesmente se acomodam em nossas casas e passam a fazer parte da paisagem. Organizar, portanto, não é simplesmente retirar, descartar ou colocar cada coisa em seu lugar. Antes disso, é olhar com atenção. Perguntar o que ainda faz sentido, o que realmente utilizamos e, principalmente, o que combina com a vida que temos hoje.

Existe uma diferença delicada entre guardar por afeto e guardar por dificuldade de escolher. Entre preservar uma história e permanecer preso a ela. Entre ter aquilo de que precisamos e carregar aquilo que já cumpriu sua função. Talvez o verdadeiro excesso seja justamente aquilo que ocupa espaço sem participar da nossa vida.
Por isso, de tempos em tempos, vale fazer uma pausa e observar a casa com novos olhos. Não para buscar uma perfeição impossível, mas para perceber se os nossos espaços ainda acompanham quem somos.

Porque organizar também é uma forma de atualização. É permitir que a casa respire, que as escolhas se tornem mais conscientes e que aquilo que permanece tenha, de fato, um motivo para estar ali.

No fim, talvez organizar seja menos sobre tirar coisas e mais sobre abrir espaço para aquilo que ainda queremos viver. Para refletir!
Abençoada semana!