16 de agosto de 2026
DE MERCADO ÀS ARTES

A história do prédio que abriga a cultura de Bauru

Por Priscila Medeiros/Alex Gimenez Sanches |
| Tempo de leitura: 3 min
Brayan Brum
Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, hoje

Inaugurado em 1971, o prédio que hoje abriga o Centro Cultural "Carlos Fernandes de Paiva", na avenida Nações Unidas, 8-9, foi construído originalmente para funcionar como Mercado Municipal.

Erguido entre as ruas Presidente Kennedy, Ezequiel Ramos e Tamoios (que teve o quarteirão 2 integrado ao espaço do Centro Cultural) e a avenida Nações Unidas, o imóvel disponibilizava espaços no estilo "box" aos comerciantes e chegou a contar com açougue e peixaria. Em frente, também funcionava uma feira livre.

A intenção era retirar a feira que acontecia na área onde hoje está a Praça do Líbano, oferecendo um local mais adequado aos feirantes. No entanto, o Mercado Municipal funcionou por pouco tempo. Entre os fatores que contribuíram para o curto período de funcionamento estavam a falta de espaço e a cobrança de aluguel pelo uso dos boxes.

Ainda na década de 1970, o local foi transformado no Palácio dos Esportes. Segundo relatos do jornalista Zarcillo Barbosa, o prédio serviu como alojamento de atletas durante os Jogos Regionais e Jogos Abertos, além de depósito de colchões para atletas e para a Defesa Civil. "Também abrigou a sede da Associação dos Cronistas Esportivos de Bauru (ACEB)."

Em 1994, o então prefeito Antônio Tidei de Lima definiu que o imóvel se tornaria o Centro Cultural e o Teatro Municipal. O projeto do complexo, com teatro, galeria, salas de aula, auditório, biblioteca e teatro de arena, foi elaborado pelos arquitetos Ricci & Higa.

Iniciado em 1995, o projeto enfrentou paralisações e etapas de captação de recursos. Em 1999, foi concluído o espaço destinado à Biblioteca "Rodrigues de Abreu", que atualmente reúne mais de 40 mil títulos e inclui a Biblioteca Verde, a Gibiteca "Alcione Torres Agostinho" e a Biblioteca Infantil "Ivan Engler de Almeida".

Em abril de 2000, foi inaugurado o Teatro Municipal, projetado pelos arquitetos Maurício Queiroz Costa e Edward Albiero e batizado em homenagem à professora e escritora Celina Lourdes Alves Neves. Ela participou da criação da Escola de Teatro Cena Aberta e da Academia Bauruense de Letras, da qual foi a primeira presidente.

O espetáculo "Honra", dirigido por Celso Nunes e com Regina Duarte, Marcos Caruso, Renata Quintela e Gabriela Duarte no elenco, marcou o início das atividades culturais do teatro.

De acordo com Zarcillo, Tidei de Lima também quis homenagear promotores do teatro amador de Bauru no século passado, dando seus nomes a espaços do novo complexo: Carlos Fernandes de Paiva e Celina Lourdes Alves Neves.

Precursor do teatro na cidade, Carlos Fernandes de Paiva dirigia, nos anos 1930, o chamado "teatro de costumes", com críticas bem-humoradas ao comportamento da sociedade local. Também escrevia crônicas nos jornais sob o pseudônimo de Mestre Cirilo. Cartorário e memorialista, teve um livro publicado sobre histórias de Bauru.

Além desses espaços, o complexo reúne a Galeria Municipal "Angelina W. Messenberg", o auditório "Helvécio de Barros", o teatro de arena e a Secretaria Municipal de Cultura. Criada em 1985 como Casa da Cultura de Bauru, a Secretaria nasceu da mobilização de artistas, estudantes e lideranças políticas durante a redemocratização do país. Em 1993, tornou-se Secretaria Municipal de Cultura, com autonomia administrativa e dotação orçamentária própria. Em 2000, sua sede passou a funcionar no Centro Cultural.