08 de agosto de 2026
OPINIÃO

O teto do funcionalismo

Por Adilson Roberto Gonçalves | O autor é pesquisador da Unesp-Rio Claro
| Tempo de leitura: 1 min

Após as denúncias de que um grupo de juízes estava recebendo salários bem acima do teto constitucional, aliada à ampla repercussão do escandaloso crime, havia a esperança de que a distorção seria definitivamente corrigida, cessando tal brecha legal que partia principalmente daqueles que foram imbuídos da missão de proteger as leis. Mas, ao contrário disso, a Suprema Corte passou a entender que estavam corretos os juízes, que não são poucos, instituindo regulamentações legalizando tais medidas. 

É importante deixar claro que os pressupostos que afirmam “era uma vez o teto salarial do funcionalismo” valem para o Judiciário e outras poucas privilegiadas carreiras do funcionalismo público. Nós, pesquisadores científicos, todos doutores e que contribuímos para o tão necessário e desejado desenvolvimento tecnológico do país, continuaremos a ter a base salarial de cerca de R$ 15 mil nas universidades estaduais paulistas que, com dedicação, empenho e um pouco de sorte, poderá chegar ao máximo de R$ 25 mil, depois de pelo menos 30 anos de exercício profissional. Isso porque a carreira exige titulação, produtividade e constantes cobranças. O maior problema dos penduricalhos e demais assaltos constitucionais de uma pequena casta é transmitir à população que todos os servidores usufruem da mesma mamata. Outras carreiras essenciais – como a de professores, profissionais da saúde e de segurança pública – padecem ainda mais. Enquanto uns brigam pelo teto, outros nem chão têm.