01 de agosto de 2026
OPINIÃO

O silêncio também é uma resposta

Por Paulo Neves |
| Tempo de leitura: 1 min

Escrevi um livro intitulado "Palco de Memórias". Não o escrevi movido pela vaidade, nem pela expectativa de aplausos fáceis. Escrevi porque havia uma história a contar e porque, depois de quinze anos exercendo o jornalismo, depois de cinquenta e quatro anos exercendo o magistério e depois de cinquenta anos dirigindo peças de teatro, aprendi que as palavras só fazem sentido quando encontram um leitor.

Alguns professores, médicos, engenheiros, comerciários, dentistas, advogados, ex-alunos, cujas opiniões respeito, consideraram a obra muito acima da média. O livro recebeu um acabamento editorial cuidadoso. Ainda assim o que mais me intrigou não foram as críticas negativas, afinal, elas fazem parte da vida de qualquer autor que esteja começando, mesmo com 76 anos, na época do lançamento. Afinal, sempre existe um momento para começar um novo período da vida. O que me surpreendeu foi a ausência quase completa de opiniões.

Por que um livro pode despertar tão pouco retorno? Será desinteresse pela leitura? Excesso de publicações? Falta de espaço para a crítica literária? Ou estamos vivendo um tempo em que o silêncio substitui o diálogo?

Uma cidade como Bauru perto de 400 mil habitantes, conservadora, reacionária, começo a pensar será que não deixei legado nenhum. Penso muito no Mauro Rasi... e tantos outros.

Não apresento estas perguntas como quem reclama reconhecimento. Faço-as porque acredito que um livro só se completa quando provoca reflexão, concordância ou discordância. A indiferença, essa sim, e que merece ser discutida.

Quando nada disso acontece, resta apenas o silêncio. E o silêncio, para o escritor, talvez seja a crítica mais dificil de compreender.