No 18º domingo do tempo comum, a Palavra de Deus nos conduz a refletir sobre uma experiência profundamente humana: a fome. Todos conhecemos a fome do corpo. Ela nos recorda que somos criaturas necessitadas, dependentes do alimento, do cuidado e da solidariedade. Em nosso mundo, porém, há também outras fomes: fome de amor, de paz, de esperança, de justiça, de acolhimento, de sentido e de Deus.
Na primeira leitura (Is 55,1-3), o Senhor faz um convite surpreendente: "Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, vinde e comei". (Is 55,1). Deus oferece gratuitamente aquilo que dá vida. Seu amor não está à venda e sua misericórdia não pode ser comprada. Ele se aproxima de todos, especialmente daqueles que reconhecem sua sede e sua necessidade. Entretanto, o profeta também faz uma pergunta que continua atual: "Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão?". (Is 55,2). Quantas vezes buscamos satisfação em coisas que não alimentam o coração? Podemos possuir muitos bens, alcançar reconhecimento, acumular experiências e, ainda assim, permanecer interiormente vazios. Há alimentos que saciam apenas por alguns instantes, mas existe uma fome mais profunda que somente Deus pode preencher.
No Evangelho (Mt 14,13-21), Jesus se retira para um lugar deserto, mas as multidões o seguem. Ao vê-las, Ele não permanece indiferente. O Evangelho afirma que Jesus "encheu-se de compaixão por elas e curou os que estavam doentes". (Mt 14,14). A compaixão de Cristo não é apenas um sentimento. Ela se transforma em cuidado concreto. Jesus vê as necessidades das pessoas e age. Ao cair da tarde, os discípulos percebem que a multidão está com fome e apresentam uma solução aparentemente razoável: "Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida". (Mt 14,15). Mas Jesus responde:"Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!". (Mt 14,16). Essa palavra é dirigida também a nós. Diante da fome, da pobreza, da solidão e de tantas necessidades, podemos pensar que nada podemos fazer. Muitas vezes, olhamos para a grandeza dos problemas e para a pequenez de nossos recursos. Os discípulos disseram: "Só temos aqui cinco pães e dois peixes". (Mt 14,17). Jesus não pede aquilo que eles não possuem. Ele pede que coloquem em suas mãos aquilo que têm: "Trazei-os aqui". (Mt 14,18). Quando oferecemos a Deus nossos poucos pães e peixes — nosso tempo, nossos dons, nossa atenção, nossa capacidade de servir e de amar — Ele transforma a pobreza de nossos recursos em abundância. O milagre não acontece porque os discípulos tinham muito, mas porque confiaram e partilharam o pouco que possuíam. Todos comeram e ficaram satisfeitos (cf. Mt 14,20). E ainda sobraram doze cestos. No Reino de Deus, a generosidade não empobrece. Ao contrário, a partilha multiplica a vida.
A fome material precisa ser enfrentada com ações concretas. Não podemos anunciar o amor de Deus e permanecer indiferentes diante de quem não tem o que comer. A fé nos chama a partilhar o pão, defender a dignidade humana e construir uma sociedade mais justa e fraterna. Mas também existe a fome espiritual. Há pessoas que têm alimento à mesa, mas vivem sem esperança. Há quem esteja cercado de pessoas, mas se sinta profundamente sozinho. Há corações cansados, feridos e desanimados, que procuram alguém capaz de lhes devolver o sentido de viver. Jesus é o alimento que sustenta o coração. Ele vem ao nosso encontro para saciar nossa sede de amor e nossa fome de eternidade.
São Paulo nos recorda que nenhuma realidade poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus (cf. Rm 8,35.37-39). Nem as tribulações, nem as angústias, nem o presente, nem o futuro são maiores do que o amor do Senhor.
Neste domingo, Jesus nos pergunta: Que pão temos para oferecer? Talvez tenhamos apenas cinco pães e dois peixes. Mas, se os colocarmos nas mãos de Cristo, eles poderão tornar-se alimento para muitos. Que não deixemos ninguém ir embora com fome: nem fome de pão, nem fome de esperança, nem fome de amor.
Peçamos à Virgem Maria, Mãe de Jesus e Mãe dos pobres, que interceda por nós. Que ela nos ensine a reconhecer a fome de nossos irmãos, a partilhar generosamente aquilo que temos e a conduzir todos ao seu Filho, o verdadeiro Pão da Vida.