25 de julho de 2026
ODONTOLOGIA

Nada de procedimentos sem imagens e avaliação da saúde geral

Por Alberto Consolaro | Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
| Tempo de leitura: 3 min
Tomografias reconstroem em 3D e oferecem planos como cortes de observação em todos os sentidos para avaliarmos ossos e dentes

Em 1980 para se fazer tratamento ortodôntico a pessoa tinha que ser perfeita. Ter dentes hígidos, sem tratamento de canal e nem usar próteses. Não poderia ter nenhuma doença sistêmica ou local. Acima de 20 anos, já tinha passado o momento. Só existiam radiografias periapicais, aquelas bem pequenas, e as panorâmicas maiores, ambas analógicas e limitadas. Era o que tínhamos para ver raízes e ossos.

Hoje, se pode movimentar dentes com canais tratados, implantes e até sequelados de doença periodontal. As radiografias passaram a ser digitais o que otimizou a visão interna dos dentes e ossos. E o mais importante, passou-se a ter custo acessível as tomografias que oferecem nos uma visão tridimensional completa internamente, onde vamos diagnosticar e operar.

Desde 1980, tirar dentes sem radiografias é uma loucura e coisa de dentista prático sem fundamento cientifico. Esses pseudo-profissionais até bravejavam, que se precisassem de radiografia para tirar dentes, eles aposentariam! É muita ignorância e um profissional de verdade, sempre tem a radiografia prévia, no mínimo, para se extrair um dente, mas em 2026 o ideal e seguro é a tomografia. Sem imagens prévias, é imperícia.
Hoje, operar os dentes e maxilares sem tomografia é se recusar a saber como estão as raízes e os ossos, antes desta decisão perigosa com a vida do paciente. Infelizmente, ainda temos profissionais e clínicas que não usam tomografias no atendimento dos pacientes, pois em suas faculdades, não aprenderam ou não tinham este aparelho em sua prática, o que é lamentável.

SAÚDE GERAL
Ao olharmos uma pessoa linda e maravilhosa, não sabemos como está a saúde geral. Esta pessoa pode ter anemia, diabete melito, imunodepressão, desnutrição pelos regimes malucos, ser oncológica em tratamento com quimioterapia, imunoterapia e ou radioterapia, ter leucemias e outras neoplasias ainda sem diagnóstico, ser etilista e ainda usar drogas e ter outros vícios. 
Quando o paciente chegava ao consultório até 2010, se fazia, e ainda se faz, uma avaliação clínica e oral dos sinais e sintomas, mas mesmo assim, não é suficiente, pois vivem entre nós muitas pessoas debilitadas que não aparentam ser, graças aos avanços da ciência.
Em 2026, temos como superar esta dificuldade com exames prévios ao atendimento de qualquer especialidade clínica. Os exames ficaram muito acessíveis no preço e podem ser feitos nos laboratórios e também nas farmácias. Se o paciente apresentar alterações nos exames devem ser encaminhados para uma avaliação médica.
Quando não se faz isto e o profissional de qualquer especialidade opera o paciente assim mesmo, a chance de complicações clinicas com hemorragias, disseminação infecciosa e sepse aumenta muito, colocando em risco a vida do paciente e a sua profissão. 

REFLEXÃO FINAL
Na imprensa, são comuns os relatos de casos odontológicos complicados enviados a hospitais. Quase sempre, quando se adentra nos detalhes destes casos, faltaram imagens prévias e ou exames complementares prévios para avaliar a situação da saúde geral do paciente. 
A Odontologia deste século tem acessibilidade (custo e logística) a radiografias, tomografia e agora ressonância magnética odontológica, inclusive nas faculdades de odontologia. Também temos acessibilidade a exames de sangue e outras secreções que mapeiam rapidamente a saúde geral do paciente, antes de qualquer intervenção clínica.
Os profissionais não devem intervir em pacientes sem ter as condições mínimas de um diagnóstico preciso para uma intervenção clínica segura. Toda responsabilidade é do profissional que não deve ceder a pressões politicas e empregatícias. Odontologia só com ética e segurança.