18 de julho de 2026
OPINIÃO

Cuidar do Rio Bauru é responsabilidade exclusiva da cidade?

Por Ricardo Carrijo |
| Tempo de leitura: 4 min

Esta questão acima muito tem intrigado e alimentado discussões ambientais dos moradores de Bauru e região, isto porque as nascentes do Rio Bauru que leva o nome da cidade ocorrem dentro de nosso município, mas o desague de suas águas poluídas acontece na sua foz em outros municípios da região no Rio Tietê. Os municípios afetados pelo Rio Bauru poluído são na sua margem direita Pederneiras e na margem esquerda Boraceia.

Legalmente, fiscalizar a poluição hídrica é uma exclusiva competência municipal o que implica limpeza e conservação em faixas de largura pré determinadas das margens dos rios e córregos que se encontram seu território. No caso de cursos d´água com menos de 10 metros, como o Rio Bauru, se exige a conservação e proteção de pelo menos 30 metros de cada margem de acordo com Resolução do CONAMA.

Portanto para entendermos a situação torna-se necessário esclarecer sobre o trajeto do Rio Bauru dentro dos limites de Bauru para que possamos perceber melhor e mais claramente as responsabilidades e o grande prejuízo ambiental que tem sido causado em toda a região pela falta de cuidados e proteção ambiental das margens e das águas do Rio Bauru.

Existem duas razões básicas a serem analisadas quanto a poluição hídrica do Rio Bauru e consequentemente do Rio Tietê: a primeira e mais importante é a lamentável e inacreditável falta de tratamento de nossos milhares ou milhões diários de litros esgotos despejados todos os dias por Bauru, sendo que este desague incomoda, prejudica e coloca a cidade entre os piores municípios de nosso País em todos os rankings ambientais que versam sobre tratamento de esgotos sanitários.

Todos sabem que isto é uma grande limitação para atrair novas investimentos e nova industrias para a cidade em função das exigências impostas por legislação ambiental e pelas governanças institucionais de grandes grupos investidores.

A segunda razão da poluição hídrica é a inaceitável falta de fiscalização ambiental sobre o descarte de resíduos sólidos nas margens do Rio Bauru que ao serpentear a cidade atravessa diversas áreas com diferentes características de acesso em suas margens.

O rio Bauru nasce em uma área de mata fechada de arvores leucenas nos arredores do Posto Alameda e do Clube Luso e depois desce para passar por áreas abertas como o cruzamento da Comendador onde está a banca Filho da Fruta e que vive alagando, percorre depois uma estreita calha de cimento totalmente aberta e muito pouco protegida em toda a extensão da avenida Nuno de Assis e segue até o viaduto da Rodovia Marechal Rondon onde encontra uma algumas barreiras pedregosas e depois o nosso Rio Bauru continua em seu trajeto novamente em áreas abertas e não fiscalizadas em direção a ETE encantada e abandonada, que já está construção ou quem sabe em deterioração há muitos anos e na sequência as suas águas fétidas e poluídas caminham para a sua foz no Rio Tietê, passando entre dois municípios vizinhos.

É preciso refletir que o rio Bauru também tem em suas duas margens uma quantidade excessiva de antigos trilhos desativados das ferrovias que um dia já foram orgulho e razão de existir de nossa cidade, mas que hoje são apenas grandes e gigantes depósitos de sucatas de trilhos e vagões abandonados pelas concessionárias das malhas ferroviárias privatizadas nos anos noventa e abandonadas anos depois.

Todas as margens do Rio Bauru nestes trechos de abandono e próximo dos trilhos apresentam uma vegetação mal cuidada, desequilibrada ambientalmente com a presença de milhares de arvores exóticas de leucenas e contam com muitos locais propícios para descarte ilegal de resíduos sólidos urbanos de todos os tipos.

E o que é preciso fazer para melhor conservar o rio que leva o nome da nossa cidade?

Cuidar e proteger as suas matas ciliares e ampliar fortemente a fiscalização da Prefeitura/SEMMAB sobre os pontos de descartes de resíduos sólidos em toda a extensão; a aceleração e a retomada das obras da encantada estação de tratamento; o COMDEMA Bauru ampliar o diálogo com seus congêneres de municípios vizinhos e buscar recursos financeiros do FEHIDRO estadual com projetos a serem apresentados ao Comitê da Bacia Hidrográfica Tietê Jacaré na edição de janeiro de 2027.

Há ações de competência exclusiva de Bauru e que poderiam ocorrer de imediato pois algumas são de baixo custo e só dependem exclusivamente de vontade política e há outras como aquelas que exigem providências regionais que dependem de um maior dialogo com as lideranças das cidades vizinhas. É preciso começarmos a cuidar melhor do Rio Bauru antes que seja tarde demais!