18 de julho de 2026
COLUNISTA

O reino de Deus cresce com paciência, esperança e transformação


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Neste 16º domingo do tempo comum, Jesus nos apresenta três parábolas sobre o Reino de Deus (Mt 13,24-43). Antes de compreendê-las, vale recordar, de modo simples, o que significa o Reino de Deus. Não se trata de um lugar, mas da presença e da ação de Deus na vida das pessoas. O Reino acontece onde Deus é acolhido, onde sua vontade é vivida e onde o amor, a justiça, a misericórdia e a paz transformam os corações e a sociedade.

A primeira parábola é a do trigo e do joio (Mt 13,24-30.36-43). Nela, Jesus reconhece uma realidade que todos experimentamos: o bem e o mal convivem lado a lado neste mundo. A reação dos empregados é eliminar imediatamente o joio. O dono, porém, pede paciência, para que o trigo não seja prejudicado. A lição é clara: Deus é justo, mas sua justiça não é precipitada nem vingativa. Ele concede tempo para a conversão e espera que o bem amadureça.

Essa compreensão encontra profundo apoio na primeira leitura. O Livro da Sabedoria afirma que a força de Deus é o fundamento de sua justiça, mas que Ele governa o mundo com clemência e consideração (Sb 12,16-18). Mais ainda, ensina que o justo deve ser humano e que Deus oferece aos pecadores a esperança do perdão (Sb 12,19). Enquanto nós, muitas vezes, desejamos julgamentos imediatos, Deus prefere oferecer oportunidades de mudança. Sua justiça caminha sempre unida à misericórdia.

As duas parábolas seguintes revelam outras características do Reino de Deus. A semente de mostarda (Mt 13,31-32) mostra que o Reino começa pequeno, quase imperceptível, mas possui uma força interior capaz de produzir um grande crescimento. Assim acontece com a fé, com uma palavra de esperança, um gesto de perdão ou um ato de caridade. Aos olhos humanos podem parecer insignificantes, mas, nas mãos de Deus, tornam-se fonte de vida para muitos.

Já a parábola do fermento (Mt 13,33) ensina que o Reino age de maneira silenciosa e discreta, mas transforma tudo por dentro. O fermento desaparece na massa, porém sua ação alcança toda a farinha. Assim também é a presença de Deus: muitas vezes não faz barulho, mas modifica profundamente a vida daqueles que se deixam conduzir por Ele.

É precisamente nesse ponto que a segunda leitura ilumina o Evangelho. São Paulo afirma que "o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza" e intercede por nós "com gemidos inefáveis" (Rm 8,26-27). O crescimento da semente e a ação do fermento recordam que não somos nós, apenas com nossas forças, que fazemos o Reino acontecer. É o Espírito Santo quem sustenta nossa caminhada, fortalece nossa fé quando ela parece pequena como um grão de mostarda e transforma nosso coração por dentro, como o fermento transforma a massa. Mesmo quando não sabemos rezar ou pedir o que convém, o Espírito continua agindo em nós segundo a vontade de Deus (Rm 8,26-27).

As três parábolas revelam, portanto, um Reino marcado pela paciência, pelo crescimento e pela transformação. Deus não desiste da humanidade por causa do mal; ao contrário, continua semeando o bem, fazendo crescer sua obra e renovando os corações pela ação do Espírito Santo.

Peçamos ao Senhor a graça de sermos trigo bom em seu campo, sementes que levem esperança e fermento que transforme o mundo pelo testemunho do Evangelho. Assim, colaboraremos para que o Reino de Deus, já presente entre nós, manifeste cada vez mais sua plenitude até o dia em que, como promete Jesus, "os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai" (Mt 13,43).