11 de julho de 2026
MURTAS

Prefeitura terá de eliminar arbustos para combater o Greening

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação

Proibida em todo o estado de São Paulo pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), desde o início de 2025, a falsa murta (Murraya paniculata) é uma espécie exótica amplamente utilizada no paisagismo urbano devido à sua estética e resistência.

No entanto, ela atua como o principal hospedeiro alternativo do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor que transmite a bactéria causadora do Greening, doença mais avassaladora e destrutiva da citricultura em todo o mundo.

A legislação estadual proíbe terminantemente a produção de mudas, o plantio para fornecimento de hastes, o comércio, o transporte e a utilização da murta para arborização ou ornamentação, seja em espaços públicos ou privados. As únicas exceções permitidas são para plantas mantidas para fins de pesquisa científica, desde que devidamente registradas na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA). Ou seja, todos os arbustos existentes na cidade, em áreas públicas ou dentro de residências e comércio, deverão ser eliminados compulsoriamente.

De acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado, o grande perigo da murta reside no fato de que a planta geralmente não apresenta sintomas evidentes da doença e quase nunca recebe os tratos fitossanitários adequados no ambiente urbano. Isso a transforma em um foco silencioso e contínuo de disseminação da praga para as plantações comerciais de citros, afetando gravemente a economia da região.

Essa dinâmica torna o controle da doença um desafio fitossanitário urgente, exigindo restrições severas ao trânsito de vegetais e a eliminação compulsória de focos transmissores tanto em propriedades privadas quanto em áreas públicas.

O Departamento Regional e de Divisão da Defesa Agropecuária encaminhou neste mês de junho ofício para a Prefeitura de Bauru para que o município trace planos para a remoção das murtas localizadas sob sua responsabilidade, incluindo calçadas, praças, parques, canteiros centrais e cemitérios, dentro das leis ambientais e urbanísticas da cidade.

A versão preliminar do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), que está sendo realizado pela Prefeitura de Bauru, aponta que a falsa murta é a segunda espécie mais utilizada na arborização urbana na cidade, representando 12% do total de espécies utilizadas nas calçadas, o que corresponde a 113 arbustos plantados na cidade. No entanto, o número deve ser maior, uma vez que o Plano está em andamento.

A Secretaria de Agricultura disponibilizou um canal para denúncias como venda, cultivo ou utilização da murta para arborização ou ornamentação: https://survey123.arcgis.com/share/ecdf23310ba74c36809928b7e13df6c5?portalUrl=https://geo.cati.sp.gov.br/portal

Questionada a respeito da notificação e das providências que serão tomadas, a Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal informa, por meio de nota, que recebeu o ofício e "está realizando um levantamento da presença de falsa-murta no município. Até o momento, foi identificado que aproximadamente 11% da arborização urbana é composta por essa espécie".

A pasta informa ainda que "com base nesse diagnóstico, a Secretaria, em conjunto com os órgãos técnicos competentes, está elaborando um programa para definir os critérios e as ações relacionadas à supressão dessas árvores, conforme as diretrizes do Plano Diretor de Arborização Urbana".

GREENING

O Greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é considerado a doença mais avassaladora e destrutiva da citricultura em todo o mundo. Essa praga ataca os vasos condutores de seiva das plantas cítricas, provocando o amarelamento das folhas, deformação e queda precoce dos frutos, além de comprometer severamente a qualidade e a produção de laranjas, limões e tangerinas. Por ser uma doença incurável, uma vez que a árvore é infectada, a única solução viável para conter o avanço do patógeno no pomar é a erradicação obrigatória da planta doente. A disseminação da bactéria ocorre por meio de um inseto vetor, o psilídeo Diaphorina citri, que se alimenta da seiva de plantas infectadas e transmite a praga para árvores sadias.