Algumas atitudes são falta de educação, como não cumprimentar as pessoas que estão no ambiente. Outras, de tão primitivas, representam falta de civilidade, como não pegar dejetos do animal de estimação em calçadas e condomínios.
Quando o Brasil foi tricampeão em 1970, era comum nas ruas e praças, as pessoas cuspirem no chão, soprar o nariz jogando no piso e até fumar em qualquer lugar. Evoluímos, e hoje raramente se vê algum ser vivo fazer isto.
Em 2026, em vários países, qualquer atitude como estas provocam multas, em outras prisão, quando não se paga com chibatadas. É um processo quase imediato e a pessoa paga por isto. Quando viajar para o exterior, devemos saber as regras para não sermos surpreendidos.
O sangue do jogador é um tecido corporal líquido que quase sempre não tem microrganismos, mas mesmo assim não é permitido qualquer gota aparente na pele ou nas vestimentas, que deverão ser limpas ou trocadas. Mas, se assistirmos qualquer jogo na copa do mundo, registraremos dezenas de vezes os jogadores cuspindo ou escarrando no gramado.
Biologicamente, uma cusparada é um ato obsceno. O cuspe é formado pela saliva e outros componentes presentes na boca, inclusive sangue que sai diariamente na mucosa pela fonação e mastigação, além de muitos restos alimentares e microrganismos aos bilhões. Pegar por fora da roupa nas genitais e mostrar ao adversários, assim como colocar o dedo médio em riste, pode gerar cartão vermelho se juiz ou câmeras detectarem.
Antes da falta ou pênalti, alguns jogadores dão um beijo na bola, outros preferem dar aquela cuspida, como a compactuar intimidade. Esta mesma bola rolou e já foi lubrificada pela saliva de vários jogadores pelo gramado liso de tantas cusparadas durante o jogo. Sem contar que o goleiro, antes da falta ou do pênalti cospe muito nas luvas, talvez para aumentar a adesividade à bola, ou seria superstição?
São tantas cusparadas no pobre gramado que fico a perguntar: - será que os jatos da irrigação antes, nos intervalos e depois do jogo, não são para lavar o gramado desta quantidade enorme de microrganismos, restos alimentares e orgânicos dos jogadores? Sem contar aqueles jatos que saem das bocas dos jogadores depois de bochecharem com água ou energéticos!
SALIVA
A saliva é secreção que sai nas aberturas dos ductos das glândulas salivares para lubrificar a mucosa bucal, assim como para defendê-la já que possui muitas enzimas, anticorpos e outras proteínas antimicrobianas, reguladoras da acidez, sem contar ainda as substâncias que contribuem para acelerar a reconstrução das feridas que ocorrem diariamente.
Quando os animais se machucam, logo lambem a ferida para levar estes fatores de crescimento e mediadores que estimulam mais ainda a proliferação das células epiteliais da mucosa e de outros tecidos. É por isto que comumente se ouve dizer que na boca a reconstituição é muito mais rápido que na pele.
Qualquer ferida na boca, por menor que seja, aumenta milhares de vezes, quase que imediatamente, de mediadores como o EGF ou Fator de Crescimento Epitelial ou Epidérmico que estimula a proliferação epitelial para logo fechar a ferida. No nascimento, a mãe lambe os olhos e a boca das crias para acabar a maturação destas partes e que veja o mundo e mate a fome com o leite materno.
REFLEXÃO FINAL
O cuspe tem a parte boa da saliva, mas também tem a exuberante contaminação microbiana e restos orgânicos e alimentares. A Fifa não sabia nada sobre o sangue, mas assim que soube da possibilidade contaminação por doenças, proibiu jogador com qualquer sinal de sangue no corpo e vestimentas.
Talvez, aconteça isto se a Odontologia ensinar à Fifa a diferença entre saliva e cuspe. Salivar não é sinônimo de cuspir. O sangue que sai na pele, não tem como eliminar vírus e outros microrganismos apesar de seus componentes antimicrobianos, e o mesmo ocorre com o cuspe com a parte da saliva que tem esta mesma atividade. Ao engolirmos o cuspe todas as horas, o ambiente estomacal acaba com o componente microbiano, quase dizimando-o!