14 de junho de 2026
PROCURADO

Hacker ligado a caso em Bauru entra na lista da Interpol

Por Guilherme Renan e Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

O hacker Patrick César da Silva Brito, de 32 anos, natural de Araçatuba (192 qilômetros de Bauru),  passou a integrar a Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), mecanismo utilizado para comunicar forças de segurança de diversos países sobre pessoas procuradas pela Justiça.

A medida ocorre após sua condenação, em agosto de 2025, pelos crimes de invasão de dispositivos eletrônicos e extorsão contra o ex-prefeito de Araçatuba Dilador Borges (PSDB) e sua esposa, Deomerce Damasceno. De acordo com a ação penal, ele teria acessado ilegalmente os aparelhos do casal e exigido dinheiro para não divulgar informações pessoais obtidas durante as invasões.

Patrick está fora do país e chegou a ser preso em dezembro de 2022 na região de Belgrado, capital da Sérvia, onde residia. Desde então, busca na Justiça impedir sua extradição para o Brasil. Patrick Brito foi preso pela primeira vez em janeiro de 2021, em Araçatuba, acusado de invadir o telefone celular do então prefeito e tentar extorquir R$ 70 mil para não tornar públicas informações armazenadas no aparelho.

Após a prisão, o hacker passou a afirmar que teria colaborado com investigações policiais e prestado auxílio em diferentes apurações. Segundo sua versão, essa relação teria continuado mesmo depois de sua mudança para a Sérvia. Para sustentar suas alegações, ele anexou a procedimentos judiciais documentos e registros financeiros que, segundo a defesa, comprovariam a existência desse vínculo.

Parte dessas informações também aparece em um inquérito conduzido pela Polícia Federal que investiga uma suposta fraude em concurso público, caso no qual Patrick é citado nas apurações. Por meio de nota, o advogado Paulo Klein informou que a defesa recebeu com tranquilidade a inclusão do nome de Patrick Brito na Difusão Vermelha da Interpol, argumentando que a medida já era conhecida há vários anos.

A defesa sustenta que o processo apresenta irregularidades e afirma confiar que a análise internacional do caso poderá resultar na exclusão do nome do hacker da lista de procurados, após a apreciação dos argumentos apresentados.

Ligação com Bauru

Conforme o JCNET divulgou na época, o caso envolvendo a contratação do hacker pelo então tesoureiro do PSD em Bauru, Walmir Henrique Vitorelli Braga, foi revelado em 2023 pelo vereador Eduardo Borgo (Novo), durante discurso na tribuna da Câmara de Bauru. O elo entre Patrick e Walmir começou em Araçatuba, para cuja Polícia Civil o hacker prestaria "serviços informais". O padrasto de Vitorelli é pai do escrivão daquele município Felipe Garcia Pimenta - que nega participação no caso e diz não tem contato frequente com o "meio-irmão".

A contratação de Patrick teria ocorrido em 2021, quando a Câmara instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar denúncias na Fundação Estatal Regional de Saúde (Fersb). Segundo consta, Walmir teria se irritado com reportagens de 'Itaberá' a respeito do caso. Segundo Walmir, porém, o incômodo se deveu a uma matéria noticiando que, durante a pandemia, sua esposa — Tainara Rosim — cantava na igreja mesmo em época de isolamento. Ele disse que "ficou muito nervoso e entrou em contato com Patrick, pedindo a ele para verificar se havia processo do jornalista".