Neste 11º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos revela um aspecto fundamental da ação divina: Deus cuida do seu povo e chama pessoas para serem instrumentos desse cuidado ao longo da história.
Na primeira leitura, Deus recorda ao povo de Israel tudo o que realizou em seu favor: "Eu vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim". (Ex 19,4). Antes de pedir qualquer resposta, Deus lembra seu amor e sua proteção. O Senhor não é um Deus distante; Ele acompanha, sustenta e conduz o seu povo. Por isso, chama Moisés para ser mediador dessa aliança e para ajudar o povo a permanecer fiel ao caminho da vida. Mais ainda, Deus confia ao seu povo uma missão especial: "Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa". (Ex 19,6).
O Salmo responsorial reforça essa verdade ao proclamar: "Nós somos o povo e o rebanho do Senhor". (Sl 99[100],3). Somos amados, conhecidos e conduzidos por Deus. A sua bondade permanece para sempre, pois "seu amor é fiel eternamente". (Sl 99[100],5).
No Evangelho, vemos Jesus contemplando as multidões. Seu olhar não é indiferente. Ele enxerga o sofrimento, o cansaço e a fragilidade das pessoas. Por isso, sente compaixão, porque elas estavam "cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor". (Mt 9,36). A compaixão de Jesus não fica apenas no sentimento; ela se transforma em missão. Diante daquela realidade, Ele afirma: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos". (Mt 9,37). Em seguida, chama os doze apóstolos, concede-lhes autoridade e os envia para cuidar, curar, libertar e anunciar a proximidade do Reino de Deus. (cf. Mt 10,1-8).
Esse envio dos apóstolos mostra que Deus continua cuidando do seu povo por meio de pessoas concretas. Moisés foi instrumento do cuidado divino no Antigo Testamento. Os apóstolos foram instrumentos do cuidado de Cristo no início da Igreja. Ao longo dos séculos, a Igreja recebeu essa mesma missão: estar próxima dos que sofrem, anunciar a esperança, promover a dignidade humana e testemunhar o amor de Deus.
Mas essa vocação não pertence apenas aos grandes personagens da história da salvação. Ela alcança cada cristão. Todos nós somos chamados a ser sinais do cuidado de Deus onde vivemos. Em nossas famílias, comunidades, ambientes de trabalho e convivência, podemos ser presença acolhedora, palavra de encorajamento, gesto de solidariedade e instrumento de reconciliação.
Vivemos tempos em que muitas pessoas também se sentem cansadas, abatidas e sem direção. Há quem carregue o peso da solidão, das enfermidades, das dificuldades econômicas ou das incertezas do futuro. Diante dessa realidade, Cristo continua repetindo: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos". (Mt 9,37). Ele nos convida a olhar ao redor com os mesmos olhos de compaixão com que contemplou as multidões e a responder generosamente ao seu chamado.
O Evangelho termina com uma orientação que resume o espírito da missão cristã: "De graça recebestes, de graça deveis dar". (Mt 10,8). Tudo o que somos e possuímos é dom de Deus. Por isso, somos convidados a compartilhar gratuitamente o amor, a fé, a esperança e a misericórdia que recebemos.
Que neste domingo renovemos nossa confiança no cuidado de Deus e nossa disposição de colaborar com sua obra. Assim como Moisés, os apóstolos e tantos santos ao longo da história, sejamos instrumentos da ternura divina, para que ninguém se sinta abandonado e todos possam experimentar a proximidade do Bom Pastor.