13 de junho de 2026
PLANO DIRETOR

Bauru tem 83% das árvores urbanas com danos, diz estudo

Por Nelson Itaberá |
| Tempo de leitura: 3 min

A quantidade de árvores urbanas em Bauru está acima do indicador internacional utilizado por pesquisadores, mas 83% das unidades existentes na cidade têm danos elevados por poda irregular. Além disso, pelo menos 23% desses casos são de poda drástica, o que condena a vida dessas unidades. Estas são algumas das várias informações apresentadas no diagnóstico realizado pela empresa Neofloresta, responsável pelo estudo, discussão e elaboração do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU).

Nesta semana, os coordenadores do programa iniciaram a realização de audiências públicas em diferentes endereços em 12 setores da cidade. Participamos do debate na agenda dos setores 1 e 12, que compreendem todo o Centro estendido - da av. Duque de Caxias até a avenida Nuno de Assis, em um eixo, e da av Pedro de Toledo até a av. Nações Unidas no outro recorte urbano - e o território entre os dois Shoppings (do Bauru no alto da Vila Universitária ao Boulevard na Vila Antártica). Após esta fase, a empresa vai compilar as informações apresentadas pelos cidadãos e finalizar a minuta do projeto de lei que será enviada ao Legislativo e integra o Plano Municipal. O coordenador do estudo é o engenheiro florestal Ciro Costa, da Neofloresta. A empresa também foi contratada, por licitação, para a formulação de diagnóstico e plano em várias cidades dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de Belo Horizonte (MG). Para compreender os principais pontos do diagnóstico é preciso apreender as informações segmentadas da pesquisa.

A arborização urbana de Bauru tem cobertura geral de 33,5%, indicador acima dos 30% recomendados pelo urbanismo internacional. Porém, o resultado contém disparidades que precisam ser levadas em conta. A amostragem da pesquisa contratada pela Prefeitura de Bauru foi realizada em 60 quarteirões de diferentes setores, com margem de erro estatística classificada em 8,3%. Ciro Costa informa que foram levantadas 35 variáveis em cada uma das árvores estudadas, gerando 1.537 avaliações no geral.

"Os 33,5% de cobertura arbórea indicam que Bauru tem boa quantidade geral de árvores, mas com a maior parte delas com danos significativos por poda irregular. E 23% desse total compõem unidades com poda drástica, que condenam a vida útil do que já existe", aponta. O diretor da Secretaria do Meio Ambiente, Roldão Pucci Neto, participante das audiências, avalia o quadro como um dos principais desafios. "O índice de árvores existentes com dano por intervenção irregular é elevado. O plano precisará ser efetivo, com metas no tempo e garantia de estrutura e orçamento para ser implementado", avalia.

A identificação de outros dados amplia os desafios para o plano municipal ser implementado. A densidade arbórea urbana é de 42,76 unidades por quilômetro. Mas há muitos espaços vazios sem uma planta sequer. Tanto que o estudo aponta que a cidade pode alcançar 70,04 árvores por km. Ou seja, mesmo concorrendo com asfalto, cimento nas calçadas e cada vez menos casas com quintais, a cidade pode ter bem mais árvores do que hoje nos bairros.

Outra realidade cruel: em pouco mais de 50% dos 83% de árvores com danos a copa foi removida em 50% ou mais. E aqui tem dois fatos inaceitáveis, apontam os técnicos. Primeiro, reforça a pesquisa, que cortar a copa é crime ambiental pela lei brasileira (número 9.605/1998). Mas muito poucos infratores são sequer identificados.

MAIS DADOS

O estudo identificam outros erros da política de arborização, ou da ausência dela. A "cultura do cidadão bauruense" não engloba só um contingente de pessoas que convive bem com galhos e folhas - que nas estações específicas perdem e trocam folhas. É elevado o número de cortes de galhos, troncos, sem qualquer técnica, ou critério. E tem mais. Muitos bauruenses plantam árvores sem saber escolher pelo tamanho e espécie, amplificando nossos obstáculos para organizar uma política de arborização sustentável, traz o diagnóstico. 41% das árvores urbanas estão no estágio de mudas jovens.