Entre os meses de junho e agosto de 2026, Bauru recebe um novo ciclo do projeto Cultura Negra Viva: Hip-Hop Cria, iniciativa que utiliza os elementos do hip-hop como ferramenta de formação artística, cidadã e pedagógica junto à juventude periférica da cidade. Nesta edição, que começou nesta terça-feira (9), o projeto impactará diretamente oito Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e a Fundação Casa, promovendo oficinas gratuitas de rap, breaking e graffiti para crianças e adolescentes.
Realizado pelo Instituto Formando Mentes Coletivas, em parceria com a Sociedade Amigos da Cultura, o Hip Hop Cria acontece desde 2021, é financiado desde 2023 e chega à sua 6.ª edição em 4 anos, depois de cerca de um mês apenas da última. O projeto está cada vez mais estruturado, aprofundando o ensino da cultura hip-hop a partir de uma metodologia que articula história, arte, identidade negra e educação popular.
"Nesse ciclo a gente está construindo algo mais elaborado pedagogicamente, com uma sequência objetiva de informações para direcionar e aprimorar a prática artística, além de material complementar para introdução e continuidade do conhecimento dessa cultura no cotidiano dos espaços que receberão as oficinas", explica Vinão Mandinga, MC, agente cultural e auxiliar de produção do projeto.
O projeto “Cultura Negra Viva: O Hip-Hop Cria” propõe uma sequência formativa que conecta os cinco elementos do hip-hop — MC, DJ, breaking, graffiti e conhecimento — às vivências das juventudes periféricas e foi viabilizado por recursos resultantes da emenda parlamentar da deputada Sâmia Bomfim de n.º 41300014, celebrado por meio do Termo de Fomento entre a União com o n.º de proposta 028812/2025, por intermédio do Ministério da Cultura/Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural e o Núcleo Preservação da Memória Política.
As oficinas abordarão a história do hip-hop nos Estados Unidos e no Brasil, contextualizando seu surgimento nas periferias negras do Bronx, em Nova York, e seus diálogos com manifestações culturais brasileiras como a capoeira, os tambores afro-brasileiros, o repente e a pixação. O conteúdo também aproximará os participantes das relações entre música, dança, arte urbana, identidade periférica e resistência social.
Na oficina de rap, os participantes irão conhecer figuras históricas como DJ Kool Herc, Cindy Campbell e Coke La Rock, além de refletirem sobre as vertentes dançantes e de protesto do rap brasileiro, com referências que dialogam desde Thaíde até Racionais MC's.
Já as oficinas de breaking irão apresentar a dança como instrumento de resolução simbólica de conflitos, destacando a transformação das disputas entre gangues em batalhas artísticas nas ruas do Bronx durante os anos 1970. O conteúdo também abordará a importância da estação São Bento, em São Paulo, na consolidação da cultura hip-hop brasileira, além da presença do breaking nos Jogos Olímpicos e sua dimensão inclusiva e coletiva.
No graffiti, a proposta será discutir arte urbana, ocupação da cidade e comunicação visual periférica, conectando os trens grafitados de Nova York às experiências brasileiras de pichação e intervenção artística nas grandes cidades. A atividade também destacará como o graffiti pode transformar territórios e fortalecer pertencimento comunitário.
Além das oficinas presenciais, cada instituição participante receberá materiais pedagógicos complementares, como jogos de rima, vídeos de apoio, referências visuais, exercícios criativos e propostas de continuidade das atividades no cotidiano das OSCs.
A proposta dialoga diretamente com debates nacionais sobre educação e cultura hip-hop, especialmente com a criação da Escola Nacional de Hip-Hop, programa do Ministério da Educação que reconhece o hip-hop como ferramenta didático-pedagógica nas escolas públicas brasileiras. O projeto também reforça os princípios da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na educação básica.
Ao longo do ciclo, o Hip Hop Cria buscará fortalecer a comunicação comunitária e ampliar o alcance do projeto junto a famílias, educadores, parceiros institucionais e à população de Bauru, utilizando a cultura hip-hop como instrumento de mobilização, pertencimento e transformação social. Acompanhe mais informações pelo instagram oficial do projeto @hiphop.cria e no site www.fmc-comunica.com.br .