O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, anunciou nesta segunda-feira que solicitou licença do cargo em meio à denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo no chamado "caso Nike", que apura supostos desvios de materiais esportivos do clube.
A decisão foi comunicada por meio de uma nota de mais de 20 páginas. No documento, Armando nega ter cometido qualquer irregularidade, contesta os fundamentos da acusação e afirma que optou pelo afastamento em respeito ao Corinthians e à sua família.
A reportagem apurou que a licença foi concedida por 30 dias. O período, porém, não impede um eventual retorno antecipado de Armando ao cargo caso ele decida reassumir suas funções antes do término do afastamento.
Segundo ele, a licença não representa reconhecimento de culpa nem decorre de receio em relação ao andamento das investigações.
O dirigente afirma ainda que continuará se defendendo das acusações e sustenta que jamais se apropriou de materiais pertencentes ao clube.
Armando diz ter "absoluta convicção" de que sua inocência será comprovada ao longo da tramitação do processo.
Na manifestação, Armando rebate diretamente a denúncia apresentada pelo Ministério Público e as conclusões da auditoria interna realizada pelo Corinthians sobre a distribuição de materiais esportivos.
O dirigente afirma que a narrativa de que teria se apropriado de 131 itens não corresponde aos fatos. Segundo ele, parte dos materiais apontados sequer deixou as dependências do clube, enquanto outros teriam sido destinados a terceiros ligados à administração corintiana.
O vice-presidente licenciado também argumenta que nem o relatório interno produzido pelo Corinthians nem o inquérito policial concluíram pela existência de desvio de materiais praticado por ele.
Ao longo do documento, Armando faz críticas à condução do caso dentro do clube e à divulgação das acusações.
Ele afirma ter solicitado a contratação de uma empresa especializada para realizar uma auditoria técnica sobre o tema, além de defender a realização de uma auditoria contábil. De acordo com o dirigente, os pedidos não foram atendidos pela administração corintiana.
Armando também questiona a divulgação de trechos de conversas privadas relacionados ao caso. Segundo ele, os diálogos teriam sido gravados sem o conhecimento dos participantes e posteriormente divulgados de forma fragmentada.
O caso teve origem em apurações internas realizadas pelo Corinthians sobre a distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.
A reportagem revelou, em outubro de 2025, a existência de uma auditoria interna que apontava inconsistências no controle e na destinação de parte desses materiais. O relatório deu origem a investigações dentro do clube e, posteriormente, passou a integrar as apurações conduzidas pelas autoridades.
Nos meses seguintes, o tema ganhou novos desdobramentos com a análise de documentos, registros de entrega de produtos e depoimentos de pessoas ligadas à administração corintiana.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público ampliou a repercussão do caso ao incluir Armando Mendonça entre os investigados. Desde então, o dirigente tem negado qualquer participação em irregularidades.
Na nota, Armando afirma que não pretende abandonar a vida política do Corinthians. Segundo ele, o afastamento temporário tem como objetivo evitar que a crise institucional vivida pelo clube se confunda com sua defesa pessoal durante a tramitação do processo.
A licença ocorre em um momento de forte instabilidade política no Corinthians, que acumula disputas internas entre diferentes grupos de poder e investigações envolvendo integrantes de gestões recentes.
Nas últimas semanas, os ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo foram expulsos do quadro associativo do clube. Já o atual presidente, Osmar Stabile, passou a ser alvo de dois pedidos de impeachment - um deles com o afastamento referendado pela Comissão de Ética do Conselho Deliberativo.