O Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização sobre o ceratocone, reforça a importância do diagnóstico precoce da doença, que afeta principalmente adolescentes e jovens. Progressiva, a condição provoca alterações na córnea (estrutura transparente localizada na parte frontal do olho) e pode levar a uma significativa perda de visão quando não identificada e tratada adequadamente.
O ceratocone ocorre quando a córnea se torna mais fina e passa a assumir um formato semelhante ao de um cone, em vez de manter sua curvatura regular. Essa deformação faz com que a luz entre de forma irregular nos olhos, causando visão distorcida, aumento do astigmatismo e da miopia, além de dificuldades para enxergar com nitidez. Entre os principais sintomas estão visão embaçada ou distorcida, aumento frequente do grau dos óculos, sensibilidade excessiva à luz, visão dupla e a percepção de imagens com sombras ou “fantasmas”.
Segundo o oftalmologista Flávio Germano, especialista na doença, muitos casos são inicialmente confundidos com simples alterações no grau dos óculos. “O paciente troca as lentes, mas continua com dificuldade para enxergar. As letras permanecem borradas, os faróis parecem estourados durante a noite e a visão nunca fica completamente nítida”, explica.
De acordo com o especialista, o ceratocone costuma surgir entre os 12 e 22 anos de idade, justamente em uma fase em que as mudanças visuais podem passar despercebidas ou ser atribuídas apenas ao crescimento. Estudos apontam prevalências variadas na população, mas a doença é especialmente observada em grupos de risco.
Um dos principais fatores de atenção é a alergia ocular associada ao hábito de coçar os olhos. Pesquisas indicam que crianças e adolescentes com alergias oculares apresentam maior risco de desenvolver alterações compatíveis com o ceratocone. Por isso, especialistas destacam três medidas fundamentais de prevenção: tratar adequadamente as alergias, evitar esfregar os olhos e investigar rapidamente mudanças frequentes no grau dos óculos.
O diagnóstico é realizado por exames específicos, como a topografia e a tomografia da córnea, que permitem identificar alterações estruturais ainda nos estágios iniciais. Flávio Germano destaca ainda a relevância do Brasil no desenvolvimento de estudos e tratamentos relacionados ao ceratocone. O país possui tradição científica na área e contribui para o aprimoramento de técnicas cirúrgicas utilizadas mundialmente.
A campanha Junho Violeta busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre os sinais da doença e estimular a procura por avaliação oftalmológica. A mensagem dos especialistas é clara: o ceratocone não representa uma sentença de perda da visão, mas o diagnóstico tardio pode limitar as opções de tratamento e comprometer os resultados.
Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a comportamentos como coçar os olhos com frequência, trocar constantemente os óculos ou reclamar de sombras e distorções na leitura. Em muitos casos, esses sinais podem ser o primeiro alerta de que os olhos estão pedindo ajuda antes que a doença avance.