02 de junho de 2026
OPINIÃO

Política, gestão de risco, clima: desafios urgentes da governança

Por Sidnei Martins de Aguiar | Professor, especialista em direito ambiental, recursos hídricos e gestão de riscos, autor de literatura técnica em recursos hídricos, gestão de riscos e desenvolvimento econômico
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Como o próprio título sugere, trata-se de três importantes variáveis que se entrelaçam e fazem toda a diferença na prevenção de desastres ambientais, evitando perdas socioeconômicas e danos ao meio ambiente. A gestão de riscos é uma área técnica da gestão ambiental voltada à análise das probabilidades de ocorrência de eventos catastróficos de cheias, estiagens e outros fenômenos naturais ou mecânicos que impactam diretamente o meio ambiente, tanto nas áreas urbanas quanto nas áreas naturais. Seu objetivo principal é antecipar cenários, reduzir vulnerabilidades e estabelecer estratégias eficazes de prevenção e resposta.

A política, por sua vez, é um importante instrumento da administração pública e também da iniciativa privada, responsável pelas articulações, interlocuções e decisões necessárias para promover relações institucionais, cooperação entre setores e implementação de ações concretas em benefício da sociedade. Durante muito tempo, acreditou-se que a interação entre essas três dimensões seria complexa, imprevisível e até mesmo inviável. No entanto, a evolução dos estudos científicos e a própria transformação dos cenários ambientais demonstraram que essa integração não apenas é possível, como também indispensável para alcançar resultados positivos, sustentáveis e duradouros. As mudanças climáticas já não representam uma ameaça futura ou abstrata; são uma realidade concreta, cujos efeitos devastadores podem ser previstos e, em muitos casos, mitigados por meio de planejamento adequado. Nesse contexto, a gestão de riscos surge como uma ferramenta técnica sólida, respaldada por conhecimento acadêmico e científico, embora ainda seja pouco utilizada em sua plena capacidade.

Já a política, quando orientada pelo interesse público e pela responsabilidade socioambiental, pode se tornar a principal executora das transformações necessárias. No entanto, muitas vezes, esse instrumento é utilizado de forma inadequada, comprometendo avanços que poderiam fortalecer a resiliência das comunidades e a proteção do patrimônio ambiental. Diante desse cenário, tornase urgente integrar política, gestão de riscos e estratégias de adaptação às mudanças climáticas como pilares fundamentais de uma governança comprometida com o futuro. Mais do que reagir aos desastres, é preciso investir em prevenção, planejamento e responsabilidade coletiva para construir sociedades mais seguras, sustentáveis e preparadas para os desafios do nosso tempo.