20 de maio de 2026
NASCEU EM LINS

Morre 1ª mulher trans com cirurgia de redesignação sexual no país

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 1 min
Reprodução/redes sociais
Reconhecida como a primeira mulher trans a realizar cirurgia de afirmação de gênero no Brasil, na década de 1970, Waldirene enfrentou perseguições, violências institucionais e humilhações públicas

Lins - Morreu nesta terça-feira (19), aos 80 anos, Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a passar por uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil. Nascida em Lins (102 quilômetros de Bauru), ela será velada na cidade, no Memorial Santa Izabel, a partir das 7h desta quarta-feira (20). O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério da Saudade.

A morte de Waldirene ocorreu em Ubatuba, no litoral de São Paulo. Em postagem no Facebook, o Coletivo Somos, de Lins, lamentou o falecimento e ressaltou que ela foi uma mulher trans pioneira na luta pela dignidade, pelo reconhecimento e pelo direito de existir no Brasil.

"Waldirene Nogueira viveu por décadas em Lins/SP, cidade onde construiu sua trajetória, trabalhou como manicure e marcou gerações com sua coragem e resistência diante de uma sociedade que, por muitos anos, tentou negar sua identidade e humanidade", pontua a publicação.

"Reconhecida como a primeira mulher trans a realizar uma cirurgia de afirmação de gênero no Brasil, ainda na década de 1970, Waldirene enfrentou perseguições, violências institucionais, humilhações públicas e um processo judicial que marcou a história dos direitos das pessoas trans no país".

De acordo com o coletivo, mesmo diante da transfobia e da criminalização de sua existência durante a ditadura militar, a história de Waldirene abriu caminhos para que outras pessoas trans pudessem reivindicar direitos, reconhecimento e acesso à saúde.

"Sua vida se tornou símbolo de resistência, memória e pioneirismo. Waldirene carregou, muitas vezes sozinha, o peso de ser uma das primeiras a enfrentar um sistema que insistia em negar sua identidade. Hoje, sua trajetória permanece viva na história do movimento trans brasileiro e na luta coletiva por dignidade, respeito e justiça", destaca.