Celebramos neste domingo a Solenidade da Ascensão do Senhor. Depois de sua Ressurreição, Jesus permaneceu quarenta dias junto dos apóstolos e discípulos, preparando-os para a missão da Igreja. São Lucas relata: "Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus". (At. 1,3). A Ascensão não significa que Jesus abandonou os seus discípulos. Pelo contrário, Ele sobe aos céus para abrir também para nós o caminho da vida eterna.
Na Sagrada Escritura, o número quarenta possui um significado profundo. O povo de Israel caminhou quarenta anos pelo deserto antes de entrar na Terra Prometida. (cf. Dt. 8,2). Moisés permaneceu quarenta dias na montanha diante de Deus. (cf. Ex. 24,18). Elias caminhou quarenta dias até o monte Horeb. (cf. 1Rs. 19,8). O próprio Jesus passou quarenta dias no deserto antes de iniciar sua missão pública. (cf. Mt. 4,2). Assim também, depois de quarenta dias ressuscitado, Cristo sobe aos céus. O número quarenta revela um tempo de preparação para algo muito maior que Deus realiza.
A Ascensão do Senhor manifesta uma verdade maravilhosa da nossa fé: a nossa humanidade entrou na glória dos céus. Jesus subiu ao Pai levando consigo a natureza humana. Aquilo que aconteceu com Cristo é também promessa para todos nós. São Paulo escreve que Deus "ressuscitou Cristo dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus". (Ef. 1,20). Sentar-se à direita do Pai significa participar plenamente da autoridade, da glória e do poder divinos. Jesus não está nos céus como uma simples criatura glorificada, mas como o Filho eterno de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Por isso, a Ascensão é também a festa da esperança cristã. Nosso destino definitivo não é a terra, mas os céus. Fomos criados para a eternidade. Muitas vezes a vida nos prende apenas às preocupações materiais, aos sofrimentos e às dificuldades do tempo presente. Porém, Jesus nos recorda que existe uma pátria definitiva preparada por Deus para seus filhos. Como ensina São Paulo, Deus deseja que conheçamos "qual a esperança que o seu chamamento vos dá". (Ef. 1,18).
Jesus promete ainda: "Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo". (Mt. 28,20). Embora tenha subido aos céus, Cristo permanece presente na Igreja, na Palavra, nos sacramentos e especialmente na Eucaristia. Ele continua conduzindo o seu povo e fortalecendo os discípulos na caminhada da fé. O Salmo deste domingo proclama com alegria: "Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta". (Sl. 46,6). A Igreja celebra a vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e o mal. Jesus reina glorioso e prepara um lugar para aqueles que permanecem fiéis.
Entretanto, antes de chegarmos à glória eterna, precisamos cumprir a missão que Deus nos confia. No Evangelho, Jesus envia os discípulos dizendo: "Ide e fazei discípulos meus todos os povos". (Mt. 28,19). Não podemos ficar apenas olhando para o céu. Os anjos disseram aos apóstolos: "Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?". (At. 1,11). A vida cristã exige compromisso, testemunho e evangelização.
Cada batizado recebeu uma missão. Alguns a realizam na família, outros no trabalho, na comunidade, na educação dos filhos, no serviço aos pobres, na vida sacerdotal ou religiosa. Todos somos chamados a testemunhar Jesus com a própria vida. A Ascensão nos ensina que enquanto caminhamos neste mundo devemos manter os olhos voltados para o céu, mas os pés firmes na missão que Deus nos confiou.
A Solenidade da Ascensão nos convida a viver entre duas realidades: o céu que nos espera e a missão que precisamos realizar. Não fomos criados apenas para as coisas passageiras deste mundo. Nossa meta é a eternidade. Porém, até o dia em que Deus nos chamar, devemos viver como discípulos missionários, anunciando o Evangelho, praticando a caridade e permanecendo firmes na fé.
Que Maria Santíssima, Rainha dos Céus, nos ajude a caminhar nesta esperança. E que a Ascensão do Senhor fortaleça em nosso coração a certeza de que também somos chamados à glória eterna junto de Deus.