O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) criticou duramente a decisão do Governo Federal de extinguir a tributação sobre remessas internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira (13), a entidade classificou a medida como um “grave retrocesso” para a sociedade, a indústria e o varejo nacionais.
Segundo o Ciesp, a revogação da cobrança favorece plataformas estrangeiras de comércio eletrônico e amplia a desigualdade competitiva enfrentada pelas empresas brasileiras. A entidade argumenta que a indústria e o varejo nacionais convivem com elevada carga tributária, juros altos e rígidas exigências regulatórias e trabalhistas, enquanto empresas internacionais passariam a ter vantagens no mercado brasileiro.
No comunicado, o Ciesp afirma que a decisão coloca em risco milhões de empregos e penaliza empresas que produzem, investem e geram postos de trabalho no País. Para a entidade, a medida representa uma “afronta à sociedade” e pode enfraquecer a economia nacional ao aprofundar a desigualdade tributária.
O órgão também defendeu a criação de um ambiente de concorrência considerado justo, com regras equivalentes para empresas brasileiras e estrangeiras. De acordo com a nota, a indústria nacional “não pede privilégios”, mas reivindica que plataformas internacionais sejam submetidas à mesma tributação aplicada às empresas instaladas no Brasil. O debate sobre a chamada “taxa das blusinhas” ganhou força nos últimos meses diante das discussões envolvendo a tributação de compras internacionais realizadas por meio de plataformas digitais, especialmente em sites asiáticos de varejo online.