10 de maio de 2026
COLUNISTA

Não vos deixarei órfãos: o Espírito Santo na vida da Igreja


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No sexto domingo da Páscoa, a Igreja nos coloca no coração da despedida de Jesus. Não é uma despedida marcada pela ausência, mas pela promessa: "Não vos deixarei órfãos". (Jo 14,18). O Senhor anuncia a sua partida visível, mas garante uma presença ainda mais profunda, pelo dom do Espírito Santo, o Defensor, o Paráclito.

Na Primeira Leitura (At 8,5-8.14-17), vemos a força dessa promessa começando a se realizar na vida da Igreja nascente. Felipe anuncia Cristo na Samaria, e os sinais acompanham a Palavra: "numerosos paralíticos e aleijados foram curados". (At 8,7), e "era grande a alegria naquela cidade". (At 8,8). A evangelização autêntica gera alegria, porque liberta e cura. No entanto, o texto nos mostra algo ainda mais profundo: embora já batizados, aqueles cristãos ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Por isso, Pedro e João vão até eles, "oraram e impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo". (At 8,15.17). Aqui reconhecemos o início daquilo que hoje vivemos nos sacramentos: o Batismo que nos insere em Cristo, e a Confirmação que nos fortalece com o Espírito.

Na Segunda Leitura (1Pd 3,15-18), São Pedro nos convida a viver essa fé de modo concreto: "estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança". (1Pd 3,15). Não se trata de impor, mas de testemunhar "com mansidão e respeito". (1Pd 3,16). Em um mundo muitas vezes marcado pela indiferença ou até pela rejeição à fé, o cristão é chamado a responder não com agressividade, mas com a força serena de quem vive em Cristo. O apóstolo vai ainda mais longe: "será melhor sofrer praticando o bem do que praticando o mal". (1Pd 3,17). O seguimento de Jesus não nos isenta das dificuldades; ao contrário, pode nos colocar diante delas. Mas é justamente aí que o testemunho se torna mais luminoso. Cristo "morreu, uma vez por todas, o justo pelos injustos" (1Pd 3,18), e essa entrega é a fonte da nossa esperança. Ele venceu a morte e nos abriu o caminho para Deus.

No Evangelho (Jo 14,15-21), Jesus nos revela a íntima ligação entre amor e obediência: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos". (Jo 14,15). Amar a Cristo não é apenas um sentimento, mas uma escolha concreta de vida. E essa fidelidade não é vivida sozinha: "eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor". (Jo 14,16). O Espírito Santo é chamado de "Espírito da Verdade". (Jo 14,17). Ele nos conduz à verdade plena, recorda-nos as palavras de Jesus e nos dá força para vivê-las. O mundo não é capaz de receber esse Espírito, porque vive fechado em si mesmo. Mas o discípulo o conhece, porque Ele "permanece junto de vós e estará dentro de vós". (Jo 14,17). É uma presença interior, constante, transformadora. Jesus conclui com uma promessa que ilumina toda a nossa vida: "Quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele". (Jo 14,21). A vida cristã é, no fundo, uma experiência de comunhão: Deus em nós, nós em Deus.

Ao nos aproximarmos da Ascensão e da celebração de Pentecostes, somos convidados a renovar a nossa abertura ao Espírito Santo. Não basta recordar que o recebemos um dia; é preciso acolhê-lo continuamente, deixar-se conduzir por Ele, permitir que transforme nossas atitudes, nossas palavras, nossas relações.

Que neste tempo pascal, também em nossas cidades e famílias, se realize o que vimos na Samaria: que, pela ação do Espírito, "seja grande a alegria". (At 8,8). E que, sustentados por essa presença divina, saibamos dar ao mundo a razão da nossa esperança, com fé firme, caridade perfeita, mansidão no coração e alegria no testemunho.