A semalgutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, pode preservar melhor a massa muscular durante a perda de peso do que a tirzepatida, do Mounjaro, produzido pela Eli Lilly. É o que indica um novo estudo que analisou dados de quase 700 mil pessoas. Ambas as substâncias são utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
O trabalho, que foi disponibilizado como um pré-print, ou seja, ainda não foi revisado por outros pesquisadores e publicado numa revista científica, analisou informações sobre composição corporal vinculadas a prontuários eletrônicos de 670.422 usuários americanos de análogos de GLP-1, disponíveis em sistemas de saúde do país.
No novo estudo, 456.742 dos pacientes foram tratados com semaglutida, e 213.680 com tirzepatida. Entre esses usuários, 7.965 indivíduos tiveram medições coletadas de composição corporal antes e depois do início do tratamento, ao longo de 12 meses. Ao avaliar os dados desse grupo, os pesquisadores observaram uma perda maior de massa corporal magra entre aqueles que utilizavam a tirzepatida.
Essa perda foi 1,1%, 1,5%, 1,3% e 2% maior, respectivamente, aos 3, 6, 9 e 12 meses do acompanhamento. Cerca de 10,3% dos pacientes com tirzepatida tiveram uma redução de 20% do peso, mas da qual 5% foi de massa magra.
Essa proporção foi de 6,7% entre aqueles que usaram a semaglutida. Os pesquisadores constataram que a redução da tolerância ao exercício físico foi o fator que teve a maior correlação com a perda de massa magra.
Canetada reforça o controle de 'canetinhas'
A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discutiu ontem o controle de medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" e anunciou novas medidas dentro do plano de ação voltado ao tema. Durante a reunião, foram assinadas cartas de intenção com representantes dos conselhos federais de Medicina, Farmácia e Odontologia para ampliar a cooperação no monitoramento e no uso seguro do remédio.
Segundo o presidente da agência, Leandro Safatle, os acordos preveem atuação conjunta para promover o uso racional dos produtos, reforçar a comunicação de riscos, estimular práticas profissionais éticas e ampliar a notificação de eventos adversos causados pelas "canetinhas". Ele também anunciou que a Anvisa publicará hoje duas portarias para dar suporte à implementação do plano.
Uma das portarias cria um grupo de trabalho interno, com representantes de diferentes áreas da agência, responsável por acompanhar a execução das ações, monitorar resultados e subsidiar decisões da diretoria colegiada. A segunda institui um grupo de trabalho com participação dos conselhos profissionais, com foco na análise de evidências científicas, dados de uso dos medicamentos e notificações de eventos adversos, além de identificar lacunas na comunicação de risco.
'Fenômeno em todas as regiões e classes'
Entre as irregularidades já constatadas pela Anvisa, estão a circulação de produtos sem registro, a atuação de empresas sem autorização e falhas em processos de manipulação, incluindo riscos de contaminação por problemas de esterilização e armazenamento. O diagnóstico também indica que o uso desses medicamentos já se disseminou pelo país. "Pesquisas têm mostrado que, em aproximadamente um a cada três domicílios brasileiros, já há, ou houve, pelo menos um morador em uso de canetas emagrecedoras, fenômeno que se observa em todas as regiões e classes socioeconômicas, ainda que com maior prevalência entre os estratos de renda mais elevados", disse Leandro Safatle, que completou: "Sob a ótica do controle sanitário, chama a atenção o fato de cerca de quatro em cada dez usuários relatarem já ter adquirido canetas emagrecedoras por via irregular, incluindo compra sem prescrição médica, aquisição pela internet ou obtenção no exterior. Esse dado evidencia vulnerabilidades relevantes na cadeia de acesso."