01 de maio de 2026
SEM LEITOS

Plano de 100 leitos trava e crise na saúde persiste em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/FEHOSP
Estado interrompe chamamento por entraves burocráticos e abertura de novas vagas fica sem prazo; 'Tivemos que suspender”, afirmou Secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva.

A tentativa de abertura de 100 novos leitos hospitalares para aliviar a pressão na rede pública de Campinas esbarrou em meio a entraves burocráticos, mesmo diante de um cenário recorrente de superlotação nas unidades de urgência e emergência. A informação foi confirmada pelo Secretário Estadual de Saúde, Eleuses Paiva, que explicou a suspensão do chamamento após inconsistências na documentação apresentada pela entidade interessada.

“Primeiro foi feito um chamamento, tivemos um interessado que a secretaria qualificou, mas a secretaria de município da cidade de Campinas apresentou algumas falhas nos documentos que essa entidade tinha apresentado. Nós demos um prazo para que essa entidade atualizasse a sua documentação. Infelizmente, ela não atualizou e nós tivemos que suspender esse chamamento”, afirmou Eleuses Paiva, que esteve em Campinas nesta terça-feira para a abertura do 35º Congresso FEHOSP.

A proposta surgiu no início de março, em meio a uma sequência de episódios críticos na rede. À época, a UTI do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti enfrentava um surto de KPC, situação que só foi normalizada nesta semana, após a reabertura da unidade.

Quase no mesmo período, o Hospital PUC-Campinas registrou superlotação, com pacientes sendo atendidos em macas nos corredores — cenário que voltou a se repetir no último fim de semana.

Diante da pressão, o prefeito Dário Saadi solicitou apoio do Governo do Estado para ampliar a oferta de leitos, mas a medida dependia do chamamento público que acabou interrompido.

O secretário estadual reconheceu a gravidade do quadro e indicou que o processo será reiniciado. “Estamos indo para realizar um novo chamamento, agora com um perfil um pouquinho diferente, mas também com o objetivo de poder atender adequadamente a nossa população, porque nós estamos vendo um colapso do sistema público na cidade de Campinas”, disse.

Ele também destacou que a intenção é ampliar a capacidade em áreas críticas. “Estamos fazendo um chamamento [...] para aumentar o atendimento em unidades de terapia intensiva, cirurgia e emergências, para poder atender melhor a população, não só de Campinas, mas de toda a região metropolitana”, completou.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas confirmou os entraves e informou que a entidade interessada era a Casa de Saúde, que passou recentemente por troca de mantenedora, com o grupo SL Mandic assumindo no lugar do Hospital Vera Cruz.

Segundo a pasta, a mudança exigiu atualização da documentação, o que inviabilizou a primeira tentativa de efetivar o chamamento junto ao Estado. A secretaria aguarda a formalização de um novo pedido, mas não há prazo definido para a abertura dos leitos.

Após a publicação da reportagem, a administração municipal enviou o seguinte complemento: A Prefeitura de Campinas reconhece a necessidade da ampliação de leitos e trata o assunto como prioridade. Por isso que em 2021, início do primeiro mandato do prefeito Dário Saadi, a cidade tinha 885 estruturas. Atualmente, conta com mais de mil vagas.

Além disso, a administração municipal está em constante negociação com hospitais privados para a compra de leitos. Também na gestão do atual prefeito foi aberto o Hospital Pediátrico Mário Gattinho.

Considerando todos os esforços e ressaltando que 25% dos atendimentos são de pacientes da região, a Prefeitura aguarda a ampliação de leitos do Estado.