26 de abril de 2026
TECNOLOGIA

Golpes digitais crescem durante o período do Imposto de Renda

da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Com o início do prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026, cresce também o número de golpes digitais que têm como alvo os contribuintes brasileiros.

A própria Receita Federal tem reforçado alertas sobre o aumento dessas fraudes, destacando que criminosos se aproveitam da expectativa pela restituição e do medo de cair na malha fina para enganar vítimas.

Segundo dados recentes, o cenário é preocupante: as fraudes virtuais no Brasil cresceram 13,6% em um ano, somando cerca de 1,9 milhão de casos e prejuízos estimados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em R$ 10 bilhões.

Para o advogado especialista em direito do consumidor e direito bancário, Thacísio Rios, é fundamental que a população esteja atenta neste período. "Os golpistas utilizam estratégias cada vez mais sofisticadas, inclusive com uso de inteligência artificial, para simular comunicações oficiais e induzir o contribuinte ao erro", alerta.

PÁGINAS FALSAS

Durante o período de envio da declaração do Imposto de Renda (IR) 2026, contribuintes brasileiros passaram a ser alvo de novas investidas de criminosos digitais. Um levantamento da Kaspersky identificou a criação de ao menos 61 páginas fraudulentas somente em março, todas estruturadas para simular serviços relacionados ao IR e capturar dados sensíveis dos usuários.

Essas ações estão ligadas principalmente ao uso de phishing, prática em que golpistas reproduzem ambientes digitais semelhantes aos de órgãos oficiais para induzir o preenchimento de informações pessoais, bancárias e credenciais de acesso.

As páginas falsas costumam incorporar termos associados à rotina fiscal, como "declaração", "regularização" e "IRPF", além de elementos visuais que imitam o ambiente da Receita Federal do Brasil. O objetivo é gerar confiança e levar o contribuinte a inserir dados que serão posteriormente utilizados de forma indevida.

Outra frente identificada envolve o disparo de mensagens eletrônicas que informam supostas inconsistências na declaração. Nessas comunicações, há indicação de valores em aberto e instruções para pagamento imediato, geralmente via Pix ou boleto.

Os conteúdos exploram senso de urgência e possíveis consequências fiscais, como retenção em malha fina ou inclusão em dívida ativa, para pressionar a vítima a agir rapidamente.

Também há registros de campanhas que prometem benefícios inexistentes, como redução total de encargos, desde que o pagamento seja realizado dentro de prazos curtos.

Direito do Consumidor em casos de fraudes

"O consumidor não está desamparado. O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade das instituições financeiras em situações de falha na prestação de serviço", explica Thacísio Rios.

"A Receita Federal reforça que não envia links, não cobra taxas por mensagem e não solicita dados pessoais por aplicativos", acrescenta Thacísio Rios, que também listou alguns direitos do consumidos em caso de golpes, ressaltando que há garantias legais importantes:

• Direito à contestação de transações bancárias em casos de fraude
• Possibilidade de reembolso, dependendo da falha de segurança da instituição financeira
• Responsabilização de bancos, quando não adotam mecanismos adequados de proteção
• Registro de ocorrência e comunicação imediata ao banco, o que aumenta as chances de recuperação do valor

Como evitar cair

• Desconfie de urgência e ameaças: mensagens que exigem ação imediata são um dos principais sinais de golpe
• Nunca clique em links desconhecidos enviados por e-mail, SMS ou WhatsApp
• Acesse apenas canais oficiais, como o portal da Receita Federal ou o e-CAC
• Não forneça dados pessoais ou bancários fora de ambientes seguros
• Verifique a origem de boletos antes de qualquer pagamento
• Utilize autenticação em dois fatores em contas digitais

Atenção redobrada

Durante o período do Imposto de Renda, o volume de tentativas de fraude tende a aumentar significativamente. A recomendação do especialista é clara: "informação e cautela são as principais ferramentas para evitar prejuízos financeiros e exposição de dados. Em caso de dúvida, a orientação é sempre buscar os canais oficiais da Receita Federal e nunca agir por impulso diante de mensagens suspeitas", conclui.

Principais ações

De acordo com o especialista e alertas recentes de órgãos oficiais, os golpes mais comuns são:

1. Golpe da malha fina falsa

Criminosos enviam e-mails ou mensagens informando supostas irregularidades na declaração, com links falsos para "regularização". O objetivo é roubar dados pessoais e acesso ao Gov.br.

2. Sites falsos da Receita Federal

Páginas clonadas imitam o portal oficial com alta fidelidade, induzindo o usuário a inserir CPF, senha e dados bancários.

3. Golpe do boleto ou DARF adulterado

O contribuinte é levado a pagar uma guia falsa, acreditando estar quitando pendências com o Fisco.

4. Fake news sobre taxas ou bloqueio de CPF

Mensagens alarmistas indicam cobranças inexistentes ou ameaçam cancelamento do CPF para pressionar pagamentos indevidos.

5. Contato via WhatsApp ou SMS falso

Golpistas se passam pela Receita Federal - que, oficialmente, não utiliza esses canais para cobrança ou envio de links.