18 de abril de 2026
EM BAURU

Tirso Meirelles defende Projeto Brasil para integrar agro

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
Tirso Meirelles esteve em Bauru durante evento promovido pelo Senar, no Recinto Mello Moraes

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faesp/Senar-SP), Tirso Meirelles, defendeu a criação de um "Projeto Brasil" voltado ao fortalecimento do agronegócio, com foco em previsibilidade econômica, crédito rural de longo prazo, infraestrutura, inovação tecnológica e segurança para pequenos e médios produtores. Em entrevista ao JC/JCNET, ele destacou que o setor enfrenta desafios ligados ao clima, ao alto custo dos insumos, ao endividamento e à logística, especialmente no Interior paulista.

Segundo Meirelles, a proposta do "Projeto Brasil" busca integrar diferentes setores da economia, como agronegócio, indústria, comércio e serviços, em torno de políticas públicas duradouras. A ideia, segundo ele, é apresentar o plano a lideranças políticas e candidatos, com o objetivo de estabelecer compromissos de longo prazo para o país.

O dirigente ressaltou que a instabilidade geopolítica internacional e falhas na diplomacia comercial têm impactado diretamente o setor produtivo. De acordo com ele, perdas bilionárias no comércio exterior acabam sendo absorvidas, em última instância, pelo produtor rural, especialmente os menores.

Outro ponto de preocupação é o crédito rural. Meirelles afirmou que as atuais taxas de juros tornam inviável a tomada de financiamento por pequenos e médios produtores, elevando o risco de inadimplência e endividamento. Para ele, o Plano Safra não deveria ser anual, mas estruturado em um horizonte de 10 a 15 anos, compatível com o tempo de retorno dos investimentos feitos nas propriedades.

A questão climática também foi destacada como um dos principais desafios do setor. Segundo ele, a imprevisibilidade do tempo, agravada por fenômenos como o El Niño, aumenta o risco de quebra de safra e reforça a necessidade de investimentos em irrigação, monitoramento meteorológico e seguro rural.

Nesse contexto, Meirelles anunciou a implantação de centros de excelência em Avaré, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Barretos, Miracatu, Mirante do Paranapanema e São Roque, com abrangência nacional, além de ações voltadas à meteorologia e ao suporte técnico ao produtor. O objetivo é oferecer maior segurança para o planejamento do plantio e da colheita.

Sobre os custos de produção, ele apontou o aumento dos preços de fertilizantes e insumos como reflexo direto da guerra entre Rússia e Ucrânia e da dependência externa do Brasil. Segundo ele, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que pressiona os custos e compromete a rentabilidade do produtor.

A inovação tecnológica no campo também foi tema da entrevista. Meirelles destacou a criação de centros de tecnologia voltados a Big Data, inteligência artificial e bioinsumos, além de parcerias com a Embrapa para ampliar o acesso dos pequenos e médios produtores a novas ferramentas e métodos de produção.

Na avaliação do presidente da Faesp/Senar-SP, a conectividade no meio rural é outro fator decisivo para a modernização do setor. Ele afirmou que a expansão do acesso à internet nas áreas agrícolas é essencial para levar tecnologia e aumentar a produtividade no campo.

Em relação à infraestrutura, Meirelles afirmou que a deficiência logística ainda compromete significativamente o escoamento da produção. Segundo ele, o país perde cerca de 20% da produção por problemas relacionados a estradas, armazenagem e transporte.

Ao comentar a geração de empregos no interior, ele ponderou que o momento é desafiador, mas ressaltou o trabalho de qualificação profissional realizado pela entidade, com a oferta de cerca de 250 mil cursos voltados a trabalhadores e produtores rurais.

Ao final, Tirso Meirelles deixou uma mensagem de esperança ao homem do campo, destacando a resiliência do produtor rural diante das adversidades econômicas e climáticas. Para ele, a atividade agrícola segue como pilar da segurança alimentar e do desenvolvimento das cidades do interior.