11 de abril de 2026
COLUNISTA

Já sentiu a sincronicidade?

Por Alberto Consolaro |
| Tempo de leitura: 4 min
Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
Muitos se espantam com as “coincidências”, mas não seriam sincronicidades?

Como seria bom uma boa conversa com a pessoa que há muito você não encontra. E subindo a escada rolante, ei-la vindo ao seu encontro! Incrível, só faltou uma música no fundo da cena. Coincidências não existem para o psiquiatra Carl Jung que chamou isto de sincronicidade, uma “coincidência muito significativa" que chegou a pensar em relacioná-la com a intuição. Na sincronicidade, os eventos não têm relação causal e sim, relação de significado.

Você ia ligar para a pessoa, eis que toca o celular: era ela. Isto é sincronicidade. Coincidência ou acaso? Podemos conceituar sincronicidade como a coincidência significativa entre eventos psíquicos e físicos de dois ou mais fatos. Na ciência nunca foi raro, cientistas em locais distantes, terem a mesma ideia.

Um amigo de universidade dizia que quando tinha uma boa ideia, ele escrevia e escondia a ideia em um livro em casa ou dentro do cofre e a deixava esquecida, nem pensava nela no trabalho para ninguém a captar quando estivesse pensando nela. Era uma neurose tremenda.

O ser humano deveria curtir mais suas coincidências ou sincronicidade: para Milan Kundera, seria uma das dimensões da beleza e inteligência humana. Na sincronicidade tem-se muitas coincidências significativas que somando efeitos, levam ao objetivo desejado. 

Igual nossa vida, não há em lugar nenhum do universo. Seríamos objetos da sincronicidade ou apenas uma coincidência? Como pode entre milhões de espermatozoides um ter encontrado aquele óvulo e dar origem a você! O que fez aquele espermatozoide ser o campeão: ou é sincronicidade ou uma coincidência muito maluca! Para Marilyn Ferguson “o mundo não nos parece ser um jogo cego de átomos, mas sim uma grande organização”. Seríamos casuais ou planejados? Se acreditar que somos casuais no universo, estamos desacreditando que exista uma força maior que nos rege.

O encontro de duas pessoas pode ser resultante do desejo mental de ambas. Existem os que acreditam que o encontro faz parte de uma programação espiritual, antes da reencarnação como um coisa do destino marcado. Já aconteceu a sincronicidade ou você nunca percebeu algo parecido? Você iria distingui-la?

O exemplo clássico de sincronicidade, contestado pelos religiosos, é a travessia do Mar Vermelho pelos judeus sob a liderança de Moisés. Havia a proximidade do exército do faraó que faria um massacre no acampamento. Inspirado, Moisés levantou a mão e o mar recuou pela ação de um forte vento oriental e criou-se uma travessia. Os judeus entraram sobre solo seco com muros de água a esquerda e direita. Os egípcios tentaram atravessar, mas o mar cobriu todo exército e não sobrou nem ao menos um deles. Três matemáticos do Instituto Oceanográfico de São Petersburgo já analisaram esta passagem bíblica cientificamente.

Na região descrita, existe um recife onde ocorreu o fato com 6,5km de costa a costa, que era maior e mais próximo da superfície do que hoje, e na bíblia fala-se de um forte vento naquela noite. Nos cálculos, os cientistas consideraram a velocidade do vento de 30km/h, uma direção e uma maré baixa para expor o recife. Seiscentos mil judeus passariam em 4h; mais meia hora depois a água retornaria e pegou os egípcios no meio da travessia. Que sincronicidade: local, momento, tempo, vento e a experiência de Moisés!

Em São Luís, no Maranhão, na Praia Ponta D’Areia, na sua enseada, sistematicamente, em intervalos de semanas, quando a maré fica baixa, abre-se um corredor de areia que adentra no mar algumas centenas de metros, por onde podemos andar, curtir as piscinas naturais que se formam ao lado. Mas, temos que conhecer este fenômeno, pois em aproximadamente duas horas, o mar vai estreitando e encobrindo esta ponta de areia formada, daí o nome da praia.

Eu fico observando que talvez Moisés tenha sacado que acontecia algo semelhante e calculado quanto tempo levariam para seu povo atravessar o mar. Não foi coincidência e muito menos sincronicidade, foi trabalho e cálculo. Quantos judeus passariam e quanto tempo depois, as margens daquela estrada de areia iria encobrir e eliminar os soldados do faraó?

REFLEXÃO FINAL

Uma grande ideia ou o encontro entre pessoas pode ser decorrente de uma magnetismo e força mental incrível que conecte duas ou mais mentes. A mentalização, o forte querer ou a força de um sonho, pode concretizar um fato? Ou teríamos um maestro orquestrando tudo isto? Reflitamos.