05 de abril de 2026
EM BAURU

Roupas e sapatos: como descartar sem agredir o meio ambiente

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Crisálidas reutiliza tecidos para criar novas peças e gerar fonte de renda.

O que fazer com aquela roupa que não serve mais, que está rasgada, ou com aquele sapato que estragou de tanto uso? O descarte no lixo comum não é uma opção, uma vez que contamina o meio ambiente e alguns tipos de materiais podem levar centenas de anos para se decompor.

O aumento do consumo impulsionado pela moda rápida tem ampliado o volume de resíduos têxteis no Brasil e no mundo. Roupas e sapatos, muitas vezes descartados após pouco tempo de uso, acabam majoritariamente em aterros sanitários, agravando os impactos ambientais e evidenciando a necessidade de alternativas sustentáveis para o descarte.

De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o descarte de roupas e sapatos no Brasil é um desafio ambiental significativo, assim como no restante do mundo, com cerca de 75% das peças de roupas usadas sendo destinadas a aterros sanitários. Estima-se que o país descarte cerca de 4,6 milhões de toneladas de resíduos têxteis anualmente, com menos de 1% sendo reciclado. A maioria desses materiais, especialmente os sintéticos, pode levar centenas de anos para se decompor em aterros. Apenas de 1% a 2% dos produtos são desfibrados e reinseridos no processo fabril.

O problema é agravado pelo uso de fibras sintéticas, como poliéster e nylon, além de componentes plásticos presentes em solados, espumas e borrachas. Em alguns casos, peças podem permanecer no ambiente por até 400 anos, liberando microplásticos e substâncias químicas no solo e na água ao longo do tempo.

Além dos impactos ambientais, o descarte inadequado também tem reflexos econômicos e sociais. O descarte precoce de roupas e calçados evidencia um modelo de consumo pouco sustentável, baseado na substituição constante em vez do reaproveitamento.

Nesse cenário, práticas de economia circular ganham relevância. A doação de peças em bom estado, a reciclagem de tecidos e a adoção de sistemas de logística reversa são alternativas para reduzir a pressão sobre os recursos naturais e minimizar a geração de resíduos.

Duas grandes lojas de moda do mundo recolheram, em 2024, 47 toneladas de roupas que foram destinadas para reciclagem, reutilização, doação ou coprocessamento (processo que converte materiais descartados em combustíveis alternativos para indústrias). Desde 2017, quando os projetos começaram, 170 toneladas de roupas deixaram de ir para os aterros sanitários.

Mas, afinal, onde descartar corretamente esses tipos de materiais? Antes de tudo, lave as peças antes de descartá-las mesmo as danificadas. As roupas e sapatos em bom estado podem ser doados para entidades de assistência social, que os repassam às famílias assistidas ou realizam bazares para arrecadar fundos.

Em Bauru, iniciativas locais têm buscado enfrentar o problema. A Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam) desenvolve os projetos Crisálidas e Reuse, voltados ao reaproveitamento de materiais e à geração de renda.

O projeto Crisálidas dá novo destino a roupas descartadas, com foco na economia circular e no incentivo ao empreendedorismo. A iniciativa promove a reutilização de tecidos e a produção de novos itens, comercializados em brechós e feiras. Também são oferecidos cursos gratuitos de corte e costura, crochê, tricô e reaproveitamento de materiais para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Informações sobre como doar podem ser obtidas pelos telefones (14) 99104-6317, com Júlia, ou 99603-6218, com Majô.

Já o projeto Reuse atua na recuperação de móveis, eletrônicos e eletrodomésticos, que são reintroduzidos na cadeia produtiva. Os itens recuperados são vendidos na sede da Ascam, na rua Rafael Pereira Martini, 13-07, Parque Júlio Nóbrega, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Para saber sobre os itens disponíveis, pode-se entrar em contato via whatsApp pelo número (14) 99779-8189.

Além das iniciativas locais, consumidores também podem recorrer a programas de logística reversa oferecidos por grandes lojas de roupas e sapatos localizadas no Calçadão da rua Batista de Carvalho e nos shoppings de Bauru disponibilizam pontos de coleta para roupas, calçados e acessórios.